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Independentemente da continuação do processo de discussão entre Venezuela e Colômbia, o governo brasileiro vai trabalhar para reconstruir a relação diplomática entre os dois países, porque ambos são importantes na relação da América do Sul e na relação com o Brasil. A afirmação foi feita pelo presidente Lula em entrevista coletiva concedida juntamente com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, após visita às obras de terraplanagem da subestação de Villa Hayes da linha de transmissão de Itaipu, no Paraguai.

Lula afirmou que teve uma relação “extraordinária” com o presidente Álvaro Uribe nos últimos oito anos e espera ter também com o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, acrescentando que espera que o próximo presidente do Brasil mantenha a sua visão da importância da integração da América do Sul. Lula se reunirá com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no próximo dia 6/8, e com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, no dia seguinte (7/8), bem como com o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Meu único interesse é que Venezuela e Colômbia entendam a importância que um país tem para o outro, o tamanho da fronteira que os dois países têm, o que representa o fluxo de comércio na balança comercial entre os dois países. E exatamente por isso, eu acho que eles têm que construir a volta à relação da diplomacia, à volta à tranquilidade, para que os dois países possam crescer, se desenvolver, gerar empregos.

Lula reafirmou que nunca deu palpite algum sobre a questão das Farc, “porque é um problema da Colômbia”, mas sobre a relação entre Venezuela e Colômbia, tem interesse como membro da Unasul, que os dois países “tenham a maior convivência harmônica possível, porque os dois países precisam uns dos outros”.

Sobre as críticas de certos setores da oposição no Brasil ao financiamento brasileiro das obras da linha de transmissão no Paraguai e ao aumento do pagamento pelo Brasil ao Paraguai pela cessão da energia que vem de Itaipu, o presidente Lula afirmou que “qualquer brasileiro de juízo perfeito, que não tenha má-fé, que pense na América do Sul, precisa saber que o grande ganhador, do ponto de vista do desenvolvimento econômico com Itaipu, até agora, foi o Brasil”.

O que nós estamos fazendo, neste momento, é dando ao Paraguai a oportunidade de ele poder se desenvolver e utilizar os 5 mil megawatts ou 6 mil megawatts a que ele tem direito, utilizando essa energia, trazendo para cá indústrias, trazendo para cá mais agricultura, trazendo para cá mais desenvolvimento. É isso que nós estamos fazendo. Eu acho que, em vez de alguém perguntar se existe algum brasileiro pagando alguma coisa pelo custo da linha de transmissão, nós deveríamos nos perguntar o quanto nós ganhamos não tendo essa linha de transmissão até agora. Então, é preciso que a gente tenha noção de que a economia maior, que a grande economia do Brasil, que trabalha, segundo dado do Banco Mundial, para ser a quinta economia do mundo até 2016, tenha que estender a mão a seus companheiros da América do Sul que têm mais necessidades, para que eles possam crescer igual ou mais do que o próprio Brasil. Acho que dinheiro jogado fora, que trouxe prejuízo ao Brasil, foi a quantidade de dinheiro que nós pagamos de juros da dívida externa brasileira durante mais de 20 anos. E eu era um dos que mais reclamavam. Graças a Deus, nós não só não pagamos mais como agora temos que receber pelo que nós emprestamos ao FMI.


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Os presidentes Fernando Lugo (Paraguai) e Lula visitam as obras de terraplanagem para a subestação de Villa Hayes da linha de transmissão de Itaipu. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em visita às obras de terraplanagem da subestação da linha de transmissão de Itaipu, em Villa Hayes (Paraguai), nesta sexta-feira (30/7), o presidente Lula afirmou que preferia estar participando de um evento de inauguração, mas infelizmente a máquina do Estado ainda não está preparada para trabalhar no tempo da necessidade da sociedade. Ainda assim, comemorou a obra, que praticamente dobrará a energia que atende a capital paraguaia Assunção – e celebrou também o que isso representará para o futuro do país vizinho:

De qualquer forma, como o companheiro Lugo é um homem cristão e sabe que Deus escreve certo por linhas tortas, está permitindo que seja exatamente agora que possamos dar início a uma construção que vai, não mudar definitivamente a cara do Paraguai ou a cara de Assunção, mas trazer 50 megawatts de energia a mais para Assunção – é praticamente dobrar os duzentos e cinquenta e poucos megawatts que hoje atende a Assunção. E atrás da energia, certamente virá uma empresa, certamente virá a segunda empresa, certamente virá a terceira empresa e certamente terá que vir outra linha de transmissão, de potência maior que 500 megawatts.

Lula lembrou que o Paraguai vive “um momento virtuoso na sua vida econômica, política, empresarial e social” e disse que o cenário é inspirador, porque é a oportunidade do país vizinho se tornar cada vez “mais senhor de si”. O Brasil atuará, disse o presidente brasileiro, como parceiro nesse processo, porque só assim é possível haver prosperidade para todos.

Ao contrário dos que preferem estabelecer a antiga relação de dependência e subordinação com os países ricos, optamos por unir o destino do Brasil à nossa querida América do Sul. Ao contrário dos críticos da cooperação Sul-Sul, fazemos do Mercosul um fator dinâmico do nosso comércio intrazona e uma plataforma para inserção soberana no mundo.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Para ler a transcrição do discurso, clique aqui.

O presidente Lula lembrou ainda que foram criados instrumentos para fortalecer a economia paraguaia e incrementar a parceria entre empresas paraguaias e brasileiras, e feitos investimentos para eliminar gargalos em infraestrutura para reduzir custos logísticos e operacionais nas atividades de importação e exportação.

Lula reiterou o compromisso assumido com a declaração conjunta lançada por ele e o presidente paraguaio Fernando Lugo em 25 de julho de 2009, afirmando que houve “progressos significativos no diálogo com o Congresso brasileiro para aprovar as Notas Reversais que aumentam a compensação pela cessão de energia ao Brasil”.

Certamente, na próxima semana entrará em votação na Câmara dos Deputados e, se isso acontecer, possivelmente em setembro estaremos em votação no Senado da República e, quem sabe, aprovaremos isso ainda antes de terminar o meu mandato na Presidência da República do Brasil.


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A primeira visita de um chefe de Estado da Síria ao Brasil reforça a parceria entre os dois países tanto no campo comercial como também diplomático, principalmente nas negociações de paz no Oriente Médio, afirmou o presidente Lula em seu discurso realizado nesta quarta-feira (30/6) durante encontro com o presidente sírio Bashar Al-Assad no Palácio Itamaraty. A vinda de Al-Saad ao Brasil “é uma viagem de descoberta e reencontro”, disse Lula, lembrando que a Síria contribuiu muito para a formação da nação brasileira.

Sua presença aqui é oportunidade para selarmos parceria lançada quando estive em Damasco em 2003. Nesses sete anos, nossas relações ganharam novas dimensões e possibilidades. A capacidade de transpor barreiras e compartilhar experiências é o impulso maior de nosso relacionamento. Os acordos que assinamos hoje dão sentido prático a esse compromisso. Temos uma aliança assentada em números sólidos. O comércio quadruplicou e hoje alcança 300 milhões de dólares.

A criação do Conselho Empresarial Brasil-Síria abre oportunidades para multiplicar o comércio e estimular os investimentos. Essa tendência é de crescimento com um sistema multilateral de comércio mais representativo dos anseios do mundo em desenvolvimento. Por isso, defendemos o fim dos entraves que impedem o avanço do processo de acessão da Síria à OMC.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Lula lembrou que sempre priorizou o mundo árabe nas relações internacionais, citando o lançamento da Cúpula América do Sul – Países Árabes, em 2005, para defender “uma ordem internacional mais democrática e equilibrada”. E nesse contexto, uma das prioridades é a construção da paz no Oriente Médio, afirmou o presidente brasileiro.

A construção da paz no Oriente Médio é um dos pilares desse projeto do qual o Brasil quer ser parceiro. Mas essa é uma responsabilidade de todos. Esse conflito transcende as dimensões regionais. Afeta o mundo inteiro. Recusamos a tese de que o Oriente Médio está fadado ao conflito, de que seus filhos estão condenados a reviver a irracionalidade da guerra. Não haverá reconciliação verdadeira se houver vencedores e vencidos. Temos urgência em ver a região pacificada, com todos seus povos vivendo em harmonia.

Para Lula, a Síria é “um sócio indispensável na busca da pacificação” e “tem que ser ouvida e envolvida nas grandes discussões sobre o futuro do Oriente Médio”. O presidente brasileiro defendeu o princípio de “terra por paz”, para assegurar a devolução das colinas de Golã à Síria e também um estado Palestino “independente, soberano, coeso e economicamente viável”, que possa conviver “em segurança e dignidade” com Israel.

Isso só será possível com unidade. Contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre palestinos.


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Lula e Alan García responderam a quatro perguntas da imprensa após discurarem sobre o encontro bilateral que tiveram em Manaus (AM) na tarde desta quarta-feira (16/6). Os brasileiros mais uma vez ignoraram os temas propostos (parceria energética, desenvolvimento regional/sulamericano, acordos assinados) e se concentraram em temas políticos e eleitorais brasileiros, ao contrário dos colegas peruanos, que focaram suas perguntas nos temas da agenda bilateral. A primeira pergunta, da repórter da Folha de S. Paulo, foi sobre a sanção presidencial ao reajuste de 7,7% concedido aos aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo.

Lula lembrou que a proposta original do governo previa reajuste de 6,14%, mas o Congresso aprovou 7,7%. Após conversar com sua equipe econômica, o presidente brasileiro ficou convencido de que é possível recurar parte do dinheiro do reajuste, graças ao consumo que os aposentados terão nos próximos meses. Além disso, a equipe econômica garantiu que é possível fazer um corte no orçamento equivalente à quantia que vamos dar de reajuste.

O que nós precisamos é dizer à nação brasileira que nós vamos continuar com uma rigidez fiscal, que vamos continuar controlando as contas públicas, que nós vamos diminuir o gasto com custeio, para gente poder garantir que uma parte pobre da população tenha mais poder de consumo neste País.

Negou ainda ter ‘contrariado’ a equipe econômica, conforme afirmou a jornalista em sua pergunta. “Num regime presidencialista, quem decide é o presidente. As equipes me dão orientação, me dizem as alternativas, e eu tomo a decisão. É assim que funciona o Brasil no governo Lula e em qualquer regime presidencialista”, disse.

Ouça aqui a íntegra da entrevista coletiva, que tratou também das alianças nos estados para a eleição presidencial deste ano e detalhes sobre os acordos bilaterais assinados:


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Lula e Alan García responderam a quatro perguntas da imprensa após discurarem sobre o encontro bilateral que tiveram em Manaus (AM) na tarde desta quarta-feira (16/6). Os brasileiros mais uma vez ignoraram os temas propostos (parceria energética, desenvolvimento regional/sulamericano, acordos assinados) e se concentraram em temas políticos e eleitorais brasileiros, ao contrário dos colegas peruanos, que focaram suas perguntas nos temas da agenda bilateral. A primeira pergunta, da repórter da Folha de S. Paulo, foi sobre a sanção presidencial ao reajuste de 7,7% concedido aos aposentados e pensionistas que ganham acima do salário mínimo.

Lula lembrou que a proposta original do governo previa reajuste de 6,14%, mas o Congresso aprovou 7,7%. Após conversar com sua equipe econômica, o presidente brasileiro ficou convencido de que é possível recurar parte do dinheiro do reajuste, graças ao consumo que os aposentados terão nos próximos meses. Além disso, a equipe econômica garantiu que é possível fazer um corte no orçamento equivalente à quantia que vamos dar de reajuste.

O que nós precisamos é dizer à nação brasileira que nós vamos continuar com uma rigidez fiscal, que vamos continuar controlando as contas públicas, que nós vamos diminuir o gasto com custeio, para gente poder garantir que uma parte pobre da população tenha mais poder de consumo neste País.

Negou ainda ter ‘contrariado’ a equipe econômica, conforme afirmou a jornalista em sua pergunta. “Num regime presidencialista, quem decide é o presidente. As equipes me dão orientação, me dizem as alternativas, e eu tomo a decisão. É assim que funciona o Brasil no governo Lula e em qualquer regime presidencialista”, disse.

Ouça aqui a íntegra da entrevista coletiva, que tratou também das alianças nos estados para a eleição presidencial deste ano e detalhes sobre os acordos bilaterais assinados:


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Afirmando ser um ’sulamericanista juramentado’, o presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (16/6) durante encontro com o presidente do Peru, Alan García, em Manaus (AM), uma ‘revolução do óbvio’ na América do Sul para promover o desenvolvimento na região. Segundo o presidente brasileiro, governos passados desperdiçaram a chance de aproximar os países, priorizando as relações com o “lado mais rico do planeta”, deixando assim de alicerçar a construção de uma política comum, o que seria mais fácil e benéfico para a região.

Essa falta de atenção aos países vizinhos permitiu situações no mínimo prosaicas, como o fato dos estados do norte brasileiro comprarem produtos em São Paulo ou até mesmo na Europa, a preços maiores, em vez de adquiri-los no Peru, por exemplo, como no caso da sardinha, da cebola e do cimento -- neste último caso, há uma exigência de investigação fitosanitária no cimento do Peru para que ele possa ser comprado pelo Brasil, o que foi classificado pelo presidente de ‘insano’. Para acabar com esse tipo de entrave, Lula defendeu uma ‘revolução do óbvio’:

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente Lula:

O presidente brasileiro afirmou ainda que os acordos assinados hoje em Manaus permitirão ao Brasil e ao Peru desenvolver melhor as suas potencialidades energéticas não só em gás natural e hidrelétricas, mas também em energia eólica e biomassa. “Temos um potencial de produzir energia limpa que nenhum outro país do mundo tem”, reiteirou Lula, convocando os empresários presentes a impulsionarem essa parceria entre os dois países.


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Representantes brasileiros e peruanos se reúnem em Manaus para discutir a relação comercial entre os dois países. Foto: Ricardo Stuckert/PR

De um lado, empresários brasileiros interessados na construção de uma hidrelétrica e de um gasoduto. Do outro, empresários peruanos querendo vender sardinhas e cimento para o Brasil. Essa foi a tônica da reunião do Conselho Empresarial Brasil-Peru realizada nesta quarta-feira (16/6) em Manaus (AM), que contou com a presença dos presidentes Lula e Alan García. O presidente brasileiro enfatizou durante sua fala que, durante cerca de 20 anos, o Brasil manteve-se distante dos países sulamericanos, e o mesmo ocorria com os países vizinhos. Agora, é diferente. O momento pede parcerias para desenvolver cada vez mais a região.

No encontro, que contou com a participação de empresários de peso, como Marcelo Odebrecht (da brasileira Odebrecht) e Mário Bréscia (presidente de um dos maiores conglomerados do Peru), o presidente peruano afirmou que seu governo tem interesse na construção da hidrelétrica de 7 mil megawatts em parceria com o Brasil. O gasoduto é outra obra que tem aprovação do governo peruano, sendo que parte do gás seria vendida para empresas no Acre e em Rondônia.

Já o Brasil tem interesse nas sardinhas e no cimento peruano. O presidente Lula disse que tem por hábito comer sardinhas e lembrou que as peruanas são consideradas as melhores do mundo. Mas atualmente, o Brasil importa sardinha da Europa – o que desagrada Lula. Garcia comentou então que São Paulo tem o maior consumo de pizza e, por isso sugeriu que as sardinhas e enchovas fossem importadas do Peru. Assim, segundo ele, ocorreria o incremento comercial entre Brasil e Peru.

O presidente brasileiro também considera inconcebível que os consumidores do Acre usem mais cebolas vindas de São Paulo do que as do Peru – comprando o produto a um preço bem maior. Por isso, Lula defendeu o fim das barreiras comerciais entre os dois países para que produtores peruanos possa vender seus produtos diretamente no Brasil, sem entraves burocráticos.

O problema com o cimento peruano chega a ser prosaico: o Brasil exige documento fitosanitário para o produto ser vendido no País. Alan García reclamou disso e o presidente brasileiro perguntou ao colega quanto custava um saco de cimento no Peru. A resposta: US$ 5. No Brasi, US$ 15.

“É por isso que exigem documento fitosanitário. Se não exigirem o cimento peruano vai entrar no Brasil mais barato e irá quebrar alguns monopólios”, disse Lula, que durante a coletiva de imprensa, chamou de ‘insana’ a pessoa que fez tal exigência. “Afinal, não conheço ninguém que coma cimento”, disse.

Reuniões bilaterais como essa realizada com representantes peruanos é parte da proposta do governo brasileiro de se aproximar dos países vizinhos sulamericanos. Lula ainda comentou na conversa com Garcia, autoridades brasileiras e peruanas, além de empresários, outra situação gritante: “Fique sabendo que levamos oito anos para fecharmos um acordo para importar couve-flor do Peru”.


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Certo de que deixará um legado para a sociedade brasileira, o presidente Lula disse, nesta terça-feira (1/6), para uma plateia de executivos que participaram do Seminário de Alto Nível da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), num hotel em Brasília, que o seu governo estabeleceu “uma nova relação entre estado e sociedade, entre governo e movimentos sociais”. Lula afirmou que “essa mudança de paradigma no exercício da democracia” irá assegurar a manutenção das diretrizes, pois quem sucedê-lo não terá argumentos para mudanças substânciais de rumo. Ele explicou que “se um metalúrgico, sem diploma universitário, fez o que fez”, o próximo presidente da República terá a responsabilidade de fazer muito mais.

O presidente brasileiro compareceu à cerimônia da Cepal disposto a apresentar as conquistas obtidas pelo povo brasileiro nos últimos oito anos. Na primeira parte do pronunciamento, Lula destacou a criação da Cepal e o trabalho desenvolvido na América Latina e Caribe. Ele lembrou que governos anteriores achavam mais importante estreitar os laços com países europeus e os Estados Unidos, esquecendo os países vizinhos. Porém, como o passar das décadas aconteceu mudança de comportamento.

“Estamos hoje diante de uma gigantesca tarefa histórica. Não podemos ficar prisioneiros de paradigmas que ruíram. Precisamos aprofundar o debate sobre a crise e propor alternativas. Uma atitude de independência intelectual é necessária para superar tais obstáculos. Nossa região reagiu. Tomou consciência de sua força e da necessidade de forjar um projeto de desenvolvimento próprio. Esse é o legado que nos deixaram Raúl Prebisch e Celso Furtado.”

Ouça a íntegra do discurso do presidente Lula


Isso resultou, conforme destacou, numa articulação de um pacto regional e todos estes avanços não podem retorceder. Lula propôs que os países caminhem juntos para o fortalecimento da América Latina e o Caribe e, citou como exemplo, a participação a Conferência sobre Mudança do Clima (COP16), que acontecerá no fim do ano na Cidade do México (México). Ele também informou que o seu governo permitiu a expansão da oferta de emprego. Lula disse que, em dezembro deste ano, quando deixar o cargo, terá atingido a marca de 14 milhões de novos postos de trabalho.

Depois, de improviso, Lula começou a explanação pela história do continente, com países marcados por golpes militares e, como consequência, submetidos ao atraso político. O presidente lembrou que não faz muito tempo diplomatas de grandes potências diziam quem deveria ser eleito presidente da República de determinado país. “Teve um momento em que brigavam para saber qual presidente era o melhor amigo do presidente do Estados Unidos”, lamentou.

Lula destacou também os entraves que perpetuaram entre o Brasil e a Argentina. Porém, uma mudança de paradigma permitiu que o trato entre as nações vizinhas tomasse outro rumo. “Quero tratar a todos da melhor forma possível. Com o mesmo respeito que trato as grandes nações. Por menor que seja determinado país deve ser respeitado”, destacou.

“Precisamos dizer ao mundo que não precisamos de ninguém para resolver os problemas que são nossos. Não sou daqueles que fica acusando os outros pela minha desgraça. Saber como é que se comportou a elite dirigente do país durante anos e anos… Lembro o quanto fui atacado quando disse que iria priorizar a relação com os países da América do Sul.”

Para o presidente, a fase do chamado consenso de Washigton é passado. Ele reafirmou também que um país com carga tributária pequena não tem Estado forte. Citou países que se destacam com taxas de impostos superiores a 10%. “O Estado não pode fazer absolutamente nada. Os estados que têm as melhores políticas sociais são aqueles com cargas mais elevadas”, disse.


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Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.

Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:

Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.

Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:

Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.


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Viagens internacionaisDurante sua visita a Doha (Catar), realizada sábado (15/5), o presidente Lula concedeu entrevista exclusiva à rede de televisão Al Jazeera na qual falou sobre a infância, a educação que recebeu dos pais, sua entrada na política na década de 1970, o sucesso de seu governo, a política externa brasileira e o relacionamento com os países vizinhos da América do Sul, entre outros temas.

Confira abaixo alguns dos principais pontos da entrevista, que foi veiculada no programa Talk To Al Jazeera.

Ouça aqui o áudio da íntegra da entrevista:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Infância

Eu acho que essa minha experiência de vida forjou a concepção que eu tenho hoje, como Presidente da República. Embora eu tenha consciência de que sou o presidente de 190 milhões de brasileiros, eu tenho consciência de que como chefe de Estado, eu tenho que priorizar os mais pobres, os mais necessitados, que são as pessoas que mais precisam do Estado. Com pouco dinheiro, você ajuda muita gente pobre e, às vezes, com muito dinheiro, você não contenta uma pessoa muito rica. Então, é uma questão de definição. Eu fui formado assim, depois aprendi no sindicato, e eu tento, na Presidência da República, retratar um pouco daquilo que eu vivi na minha vida.

Entrada na política

Eu, em [19]78, não gostava de política e não gostava de quem gostava de política. Aí, o governo militar tentou fazer uma lei que proibia que professor fizesse greve, que bancário fizesse greve, quem trabalhava em posto de gasolina enchendo tanque não podia fazer greve. Aí, eu fui a Brasília conversar com os deputados. Chegando em Brasília, eu descobri que não tinha nenhum deputado trabalhador. Aí eu falei: bom, nós temos que criar um partido. E aí começamos a trabalhar a criação do Partido dos Trabalhadores que, graças a Deus, em pouco tempo virou o maior partido de esquerda da América Latina.

Sucesso como presidente

Olha, eu acho que nós estamos colhendo o resultado de um trabalho sério que nós estamos fazendo. Quando, no dia 10 de dezembro de 2002 – eu já estava eleito presidente da República –, eu fui à Casa Branca conversar com o presidente Bush, e ele estava obsessivo com a Guerra do Iraque. Eu disse ao presidente Bush: a minha preocupação, Presidente, não é o Iraque. A minha preocupação é a fome do meu povo. Eu tenho mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Como é que eu vou me preocupar com o Iraque?

Bem, o dado concreto é que hoje, passados sete anos, nós elevamos 31 milhões de brasileiros à classe média e tiramos 24 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Essa é uma coisa muito importante para mim, me deixa muito feliz, e eu acho que há o reconhecimento do mundo, porque nós vamos cumprir todas as Metas do Milênio bem antes do prazo. Qual é a coisa importante? É que eu não sou um homem de ficar procurando encrenca, eu não gosto de encrenca. Eu quero gastar a minha energia tentando pensar numa coisa positiva, tentando pensar em ajudar alguém, tentando construir a paz. Não é possível você governar procurando inimigo, querendo uma guerra. Você tem que governar para o seu povo, pensando em fazer o melhor e tentando dialogar com todo mundo.

Então, eu acho que nós vamos deixar no Brasil um legado de comportamento republicano que o Brasil não conhecia: tratar todo mundo com respeito – os líderes internacionais – mas também exigir um tratamento respeitoso, e não um tratamento de segunda classe.

Política externa brasileira

Olha, eles estão falando isso porque, no dia 27 de janeiro de 2003, eu fui a Davos. Eu saí do Fórum Social, em Porto Alegre, no Brasil, e fui a Davos, e, na volta, eu disse ao meu ministro de Relações Exteriores: eu acho que nós temos que mudar a geografia comercial do mundo. Não é possível um país, do tamanho do Brasil, ficar dependendo apenas de dois grandes blocos: de um lado os Estados Unidos, de outro lado a Europa. Nós precisamos diversificar as nossas relações comerciais. Priorizamos a América Latina, priorizamos a África, priorizamos o Oriente Médio. Eu visitei sete… oito Países Árabes e visitamos, também, uma parte do Mundo Asiático. O que aconteceu, de fato? Com o Mundo Árabe, de 2005 para cá, a nossa balança comercial cresceu cinco vezes. O Brasil era muito dependente da União Europeia e dos Estados Unidos, e eu achava que, pela dimensão do Brasil e pela potencialidade do Brasil, nós tínhamos que diversificar e não ficar dependendo de ninguém, mas ter boas relações com todo mundo. Hoje a América Latina é nosso maior parceiro comercial; hoje a China é o nosso maior parceiro comercial individual. Na África, nós temos hoje um fluxo de balança comercial acima de US$ 20 bilhões, e antes a gente não tinha nada, porque a elite política brasileira só olhava para a Europa e para os Estados Unidos, para a Europa… Não via nem a América do Sul, não via a África e não via o Oriente Médio. As autoridades brasileiras que viajaram para o Líbano, foi em 1876. Não é possível!

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Olhe, eu estou há oito anos brigando por isso. É engraçado, é engraçado: todo mundo é favorável ao Brasil, todo mundo. Todo mundo concorda que o Brasil deva ter uma cadeira no Conselho de Segurança, mas ninguém quer abrir mão do poder que tem. É como se fosse um baile, em que tem cinco pessoas, numa festa bonita, e não querem deixar os outros entrarem. Veja, a geografia política de 2010 é muito diferente da geografia política de 1945, muito diferente. É só olhar o mapa da Rússia para ver como mudou. É só olhar o que aconteceu com a China, o que aconteceu com a Índia, o que aconteceu com o Brasil, é só olhar para o continente africano. Então, o que nós queremos? Que o mundo esteja representado no Conselho de Segurança. Não importa que seja um ou que sejam três da África. Não importa que seja um ou dois da América Latina. Como é que explica a Índia não estar no Conselho de Segurança? Como é que explica a China estar e o Japão não estar? Então, o que é que nós queremos? É abrir o clube e permitir que outras pessoas entrem. Você imagina, hoje, se tivesse uns dois ou três países no Conselho de Segurança como membros permanentes, que não têm bomba nuclear. Seria muito mais fácil negociar os acordos sobre não proliferação de armas nucleares.

Relação com os vizinhos sulamericanos

Eu trabalho muito com a América do Sul porque nós temos fronteira com dez países, só não temos fronteira com o Chile e com o Equador. Então, o Brasil, que é a maior economia, [tem] mais desenvolvimento econômico, [tem] mais tecnologia, [tem] mais população, o Brasil tem mais responsabilidade. Portanto, nós temos que cuidar com carinho. E nós trabalhamos para tentar tirar proveito da similaridade que existe entre os países da América Latina, pela proximidade de língua. Tenho tentado trazer o México mais para a América do Sul, para que a economia do México não fique apenas dependendo de uma potência econômica excepcional, como os Estados Unidos ou como o Canadá, que têm que se espraiar para ajudar os países da América Central. No fundo, no fundo, o que eu quero é que a gente tenha um continente mais justo e mais democrático.

Papel do Brasil na nova ordem mundial

Olha, eu, sinceramente, acho que vai depender muito do comportamento de quem estiver dirigindo o Brasil. Você sabe que em política as pessoas não reconhecem você com líder, ou seja, você tem que ocupar o seu espaço, você tem que lutar, você tem que brigar. Eu fico muito feliz quando eu vejo as revistas do mundo inteiro enaltecendo a seriedade da política econômica brasileira, a seriedade do crescimento brasileiro, como nós enfrentamos a crise econômica, o controle que o Banco Central brasileiro tem do sistema financeiro brasileiro, eu fico muito feliz, não pense que eu não fico, eu fico muito feliz.

Desmatamento na Amazônia

Nós assumimos o compromisso, em Copenhagen, de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%, até 2020. Nós assumimos o compromisso de diminuir o gás de efeito estufa em 39%. Foi a melhor proposta feita em Copenhagen. E não pedi dinheiro para ninguém, não, vamos fazer por responsabilidade. Então, veja, o Brasil tem noção exata de que é o país que tem a matriz energética mais limpa do mundo, de que tem o combustível, para os nossos carros, mais limpo do mundo.

Belo Monte

Esse projeto está sendo discutido há 30 anos. Nós diminuímos o lago em 60 %, são R$ 3,5 bilhões para cuidar da questão ambiental e para cuidar da questão social. É por isso que nós vamos fazer a usina de Belo Monte, porque nós não vamos jogar fora a oportunidade de construir a hidrelétrica mais moderna e mais limpa do mundo. O problema é que, às vezes, as pessoas se acham no direito de dar palpites sobre coisas que não conhecem.

O Brasil, o Brasil, veja, o Brasil tem 190 milhões de habitantes. E nós, nós vamos cuidar agora, no dia 2 de junho eu tenho uma reunião com a comunidade indígena, no Brasil, para discutir Belo Monte, porque nós já fizemos todas as reuniões públicas possíveis, e nós vamos garantir que as pessoas que tiverem que mudar de local vão ser tratadas condignamente, e a floresta será respeitada. Nós estamos, agora, criando um sistema de construir hidrelétrica no Brasil, chamado hidrelétrica-plataforma. Nós iremos construí-la, iremos fechar a mata e, para chegar lá, só de helicóptero, para evitar que haja crescimento de cidade em volta da floresta.

Então, nós queremos dar exemplo ao mundo sobre energia limpa. Nessa área, ninguém ensina o Brasil. Ou é isso ou é termelétrica a carvão, ou é termelétrica a óleo diesel, ou é energia nuclear. Entre tudo isso, eu prefiro as hidrelétricas, limpas.

Pré-sal e acidente no Golfo do México

Há muita preocupação. Eu, inclusive, já disse ao Presidente da Petrobras, primeiro, oferecer toda a ajuda que a gente puder oferecer aos Estados Unidos para ajudar a conter o vazamento de óleo. Segundo, para que a gente faça uma reparação na manutenção da Petrobras, para que a gente não permita que aconteça o que aconteceu no Golfo. Você sabe que tem problema, porque tem que fazer um novo furo, um novo poço e tamponar lá por baixo. Isso demora. Então, eu acho que esse acidente que aconteceu nos Estados Unidos deve alertar todas as empresas de petróleo do mundo a serem mais responsáveis, porque o prejuízo será enorme para a Humanidade na questão ambiental.

Copa do Mundo de 2014

Olhe, eu pedi para o meu Ministro do Esporte responder à Fifa. A Fifa fique tranquila, não venha com aquela mentalidade eminentemente europeia, sem conhecer a América do Sul e [sem] conhecer o Brasil. Nós vamos fazer uma Copa do Mundo melhor do que eles fizeram, mais alegre do que eles já fizeram, só corremos o risco de o Brasil ser campeão outra vez! Mas nós estamos preparados para a Copa do Mundo e preparados para as Olimpíadas. Nós sabemos o que isso significa para o Brasil, nós sabemos o que significa para a imagem do Brasil.

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