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O pequeno agricultor brasileiro contará com os recursos necessários para manter as lavouras em ritmo de produção. A garantia foi dada pelo presidente Lula em discurso por ocasião do II Encontro Nacional da Agricultura Familiar, em Feira de Santana (BA). Segundo o presidente, os interessados nas linhas de crédito do Pronaf [Programa Nacional da Agricultura Familiar] podem comparecer numa agência do Banco do Brasil, onde serão atendidos de forma mais simplificada e sem burocracia. Segundo ele, apenas em 2010 estão disponíveis R$ 16 bilhões no âmbito do Pronaf.

Muita gente não vai ao Pronaf porque não sabe. Não faltará dinheiro para o pequeno ficar um pouco maior e produzir os alimentos que comemos. Não precisam de gravata. Podem ir como eu estou. Antigamente era mais fácil emprestar para quem chegava lá com charutão. Isso mudou e precisa mudar muito mais.

O presidente pediu que as entidades que representam os agricultores prestem mais informações para que eles busquem estas linhas de crédito. Lula enfatizou que desse modo será possível acabar com a fase do arado e transformar o processo de produção de alimentos com a utilização de máquinas modernas. Um fato importante, segundo Lula, foi o aumento da venda de tratores. Dados da indústria confirmam que foram comercializados 30 mil tratores nos últimos meses.

Isso é que salvou a indústria de trator nesse país. Já está em 30 mil e eu quero que chegue a 50 mil. É melhor o agricultor sentar num tratorzinho, ligar e produzir mais. Colocar mais comida sobretudo na mesa dos mais pobres. Isso eu acho extraordinário.

Ele iniciou o discurso de improviso explicando que quando participou do primeiro encontro da agricultura familiar, em 2004, afirmou que “a única coisa que não queria perder no final do meu mandato era o direito de encontrar com vocês”. Lula avaliou também a expansão da agricultura familiar que até pouco tempo abrangia apenas os estados da região Sul do país. Atualmente, a agricultura familiar está fortalecida em 19 estados. Lula disse que estava muito alegre em participar da cerimônia e, quando observou que a coordenadora geral da Fetraf, Elizângela Araújo, derramava algumas lágrimas disse que esta semana, durante entrevista a Rede Record, também chorou.

Pode chorar sem vergonha. Esse dia fui fazer uma entrevista e chorei. Não tenho vergonha de chorar. Feliz do país no dia em que o governante chorar das coisas.. da relação com o seu povo.

Ainda no discurso, o presidente divulgou números sobre empréstimo do Banco do Nordeste, bem como a importância de assegurar o acesso aos pobres a estes recursos. Falou para os agricultores sobre os resultados do programa Luz para Todos e o volume de dinheiro disponível para a população. Lula disse também como o governo enfrentou a crise financeira iniciada no quarto trimestre de 2008. Ele informou que, ao término do mandato, irá percorrer o Brasil, além de países da América Latina e da África transmitindo as experiências adquiridas nos oito anos de mandato. Um dos exemplos, segundo ele, será a agricultura familiar.


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Cleni Ocampos tem 38 anos e participa do Talentos do Brasil com a Lã Pura, cooperativa que envolve três municípios gaúchos e é beneficiada pelo projeto Talentos do Brasil. Iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o projeto apoia a estruturação de grupos produtivos sustentáveis e já levou o trabalho de pequenos produtores aos principais eventos de moda do País.

O trabalho coletivo transformou a pequena associação de artesãs da fronteira do Rio Grande do Sul na cooperativa, que hoje gera o sustento de 28 famílias do pampa gaúcho – em sua maioria, moradores de assentamentos para trabalhadores sem-terra. Para a ex-faxineira, a expectativa é de “vender muito” na Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária que está sendo realizada em Brasília.

Cleni conquistou um mercado que jamais imaginava ocupar, utilizando como matéria-prima lã e crina de cavalo, com a qual faz brincos, colares e pulseiras. A tecelagem, o croché e o bordado, desde a fiação, passando pelo tingimento e a aplicação, até a peça final, levam produtos repletos de cultura e tradição a todo Pais, rompendo fronteiras.

Eva Kuffner, presidente da Lã Pura e da Cooperunica, que reune os trabalhadores dos 12 estados do Talentos do Brasil, espera reptir este ano o ótimo resultado dos anos anteriores. “A gente passa o ano pensando nessa feira porque as vendas são sempre boas”, afirmou. Com o tema “Passarada – Um encanto em cada canto”, Kuffner explica que o trabalho está se modernizando e que agora estão operando com crédito e débito, “o que vai incrementar mais ainda as vendas”.


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O carioca Gilmar Carino trocou a grande cidade pelo campo e não se arrepende. Vivendo hoje em Santa Maria Madalena, a pouco mais de 200 quilômetros da capital carioca, Carino já produz cerca de 250 litros de leite por dia e, com a ajuda da mulher, dois filhos e um empregado, transforma parte de sua produção em queijo.

Ele resolveu mudar de cidade há sete anos, quando os filhos entraram na adolescência, optando pela migração inversa à maioria dos brasileiros: deixou a cidade grande e foi para uma pequena comunidade, em busca de uma vida mais próxima da natureza e distante da violência.

Carino, que vive a rotina dura do campo, de acordar cedo para a ordenha, vem para a cidade participar das feiras do Ministério do Desenvolvimento Agrário desde 2006. Ele vê o espaço como uma oportunidade de “ser conhecido e voltar com dinheiro pra casa”.

Para a sétima edição da feira, que traz a Brasília o melhor da produção da agricultura familiar de todo o País, Carino produziu 600 quilos de queijo e acredita que vai voltar com a sacola vazia e a carteira cheia, porque, na opiniao dele, “a agricultura familiar ganhou uma força muito grande no último período e incentivos, como o Pronaf, que tem feito com que a gente possa prosperar”.

Cultura, música, artesanato, gastronomia, orgânicos e moda integram a Feira Nacional de Agricultura Familiar, que está sendo realizada em Brasília até o dia 20 de junho, em uma área de 30 mil metros quadrados montada na Concha Acústica do Lago Paranoá. A Feira reúne 650 empreendimentos familiares e mais de 550 toneladas de produtos de todas as regiões do País, além de uma extensa programação cultural que une o contemporâneo e cultura de raiz.


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O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (17/6) ter orgulho da relação que tem com os movimentos sociais e incentivou a todos a continuarem reivindicando, porque a cada conquista, o Brasil avança e a vida da população melhora. “Tenho orgulho dessa relação com os movimentos sociais, uma coisa sincera, verdadeira”, disse o presidente durante a abertura da 7ª Feira Nacional de Agricultura Familiar, em Brasília. “E continuem trabalhando, porque se vocês não trabalharem, não reivindicarem, muitas vezes o governo não enxerga vocês.”

Numa caminhada, a gente vai dando passo a passo, porque senão a gente pode cair e não prosseguir a nossa caminhada. Estamos num momento primoroso e de muito orgulho em nosso País. Finalmente parece que valeu conquistar nossa independência em 1822. Depois de tantos anos, estamos nos tornando mais cidadãos, os mais pobres começam a ser tratados com mais respeito, como sempre deveriam ser tratados.

Um dos bons reflexos do sucesso das políticas públicas implementadas no País, após discussão com a sociedade por meio de dezenas de conferências realizadas nos últimos anos, foi a diminuição do êxodo rural, afirmou o presidente, com as pessoas preferindo hoje ficar no campo e produzir, fortalecendo a agricultura familiar -- como fica evidente para quem visita a Feira Nacional realizada em Brasília.

Lula também defendeu um novo papel para as reservas florestais, lembrando que nenhum governo criou tantas delas como o seu. Mas a grande questão é como usá-las em benefício das populações locais, que podem ajudar a protegê-las.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Lula voltou a elogiar a integração do governo com a sociedade, sindicalistas e movimentos sociais, por meio das 68 conferências nacionais realizadas em oito anos, que ajudaram a fazer leis, decretos e políticas públicas, “melhorando a vida de cada um de vocês”, observou. Mas o presidente disse ainda não estar satisfeito. Ele quer mais e entende que todos devem ter o mesmo espírito de desejar cada vez mais. “Eu não me incomodo com reivindicações”, disse, sempre deixando claro que nem todas elas serão atendidas.

Ao se despedir, Lula afirmou que pretende visitar a Feira no domingo, juntamente com a primeira-dama Marisa Letícia, “não como presidente, mas como cidadão” e poder assim aproveitar o que ela tem de bom.

Durante a cerimônia de abertura da 7ª Feira Nacional de Agricultura Familiar o presidente aproveitou para anunciar a destinação de R$ 16 bilhões para financiamentos de agriculturoes, em linhas de custeio, investimento e comercialização, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O volume de recursos do Plano Safra foi ampliado em mais de 500%, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, e os principais destaques da edição deste ano do Plano são os novos limites de financiamento para linhas de crédito como Pronaf Jovem, Agroindústria, Semi-Árido e apoio à reconversão produtiva dos produtores de fumo.


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Café com o presidente

A atenção dedicada pelo presidente Lula ao Nordeste na semana passada, com agendas em Fortaleza, Natal, Maceió, Aracaju e Salvador, foi tema do programa Café com o Presidente desta segunda-feira (14/6). Segundo o presidente, o desenvolvimento da região deve-se principalmente ao crédito oferecido aos mais pobres. “Qual é o significado do milagre? É que o povo mais pobre, o pequeno produto, está tendo acesso a um crédito que até então lhe era negado”, afirmou. Lula fez referência ao microcrédito rural Agroamigo, programa de ajuda ao pequeno produtor do Banco do Nordeste Brasileiro (BNB), que tem um dos menores índices de inadimplência do País – apenas 3%. Para o presidente Lula, isso é “uma demonstração de que vale aquela máxima que dizia que o pobre é bom pagador porque ele tem como patrimônio maior o seu nome e a sua cara”.

Ouça aqui a íntegra do programa:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Com relação à Fortaleza, onde participou da aula inaugural do programa ProJovem Urbano, Lula destacou o fato de 60% dos 153 mil jovens integrantes este ano serem mulheres -- das quais 60% são mães.

Eu fiquei emocionado, porque eu nunca vi tanto brilho de esperança como eu vi nos olhos daquelas mulheres e daqueles jovens que estavam lá. Estavam os jovens de, praticamente, todo o estado do Ceará. É um programa muito exitoso e nós, certamente, haveremos de ver o Brasil colocando mais dinheiro, nos próximos anos, para que a gente possa recuperar esses jovens para o mercado de trabalho, para a escola e, ao mesmo tempo, transformar esses jovens em cidadãos brasileiros de primeira classe.

Em Alagoas e Sergipe, o presidente participou também da cerimônia de assinatura de ordens de serviço de duplicação da BR-101, que estará completa, este ano, na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Essa estrada vai ser importante porque os turistas, sejam brasileiros, sejam estrangeiros, vão poder andar todo o Nordeste brasileiro por uma estrada duplicada – uma parte dela, que é a que estamos fazendo, de concreto – para ninguém botar defeito. É uma estrada de primeiríssima qualidade e eu acho que ela vai simbolizar muito o desenvolvimento do Nordeste, carregando os produtos produzidos no Nordeste, mas, sobretudo, carregando o turista para ver a alegria do povo brasileiro e ver as mais belas praias do mundo.


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Mais do que o forte aumento do PIB brasileiro, o que mais chamou a atenção do presidente Lula no anúncio feito terça-feira (8/6) pelo IBGE foi outro número: o crescimento de 26% do investimento no País no primeiro trimestre do ano. Esse é um claro sinal de que a crise econômica que arrasou Estados Unidos e Europa no ano passado foi mesmo uma ‘marolinha’, afirmou Lula em discurso nesta quarta-feira (9/6) em Maceió (Alagoas), durante solenidade em que deu ordem de início às obras de duplicação da rodovia BR-101 no estado.

“Eu não sou mágico, não fiz mágica na economia, apenas trabalhei com seriedade”, afirmou o presidente, lembrando que quem salvou o Brasil da crise foi o povo mais pobre, que assumiu a responsabilidade de consumir e não deixar que a economia do País esfriasse. É justamente esse povo que vem sendo mais beneficiado pelas políticas de governo que investe pesado no desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste do País, com programas como o microcrédito AgroAmigo, do Banco do Nordeste Brasileiro (BNB) – com foco no pequeno agricultor familiar -, o Luz para Todos e o Bolsa Família. Eles estão turbinando a economia e permitindo que os mais pobres possam consumir mais alimentos e produtos básicos de higiene e limpeza – mais até do que as classes A e B (ainda segundo dados do IBGE de abril).

São esses programas que a imprensa brasileira esquece de analisar com mais cuidado para perceber que eles dão suporte ao crescimento verificado pelo IBGE. “Somos tão brasileiros como qualquer outro”, disse o presidente, afirmando que os nordestinos não querem ir para o Sudeste apenas para trabalhar de pedreiro, mas querem também ir à passeio ou para conseguir empregos de médicos, engenheiros, pesquisadores.

Os investimentos feitos pelo governo em estados nordestinos também visam fortalecer a infraestrutura local, para garantir a presença de indústrias e gerar empregos de qualidade. A rodovia BR 101, que vai até o Rio Grande do Sul, é um bom exemplo disso. Outras obras importantes, lembrou, são os canais do Sertão e do Rio São Francisco e a ferrovia Transnordestina. “O Nordeste não quer mais ser tratado diferente, somos cidadãos brasileiros também.”


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O presidente Lula destacou hoje (10/5) que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é o principal meio de espraiar a segurança alimentar, porque a empresa foi responsável pela chamada “revolução tecnológica” do segmento. A declaração foi feita durante inauguração da nova unidade no Brasil: a Embrapa Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical.

O presidente falou ainda sobre o potencial produtivo da savana africana, comparado ao cerrado brasileiro. “Parte da savana tem as mesmas características do cerrado, área que, há 40 anos era considerada improdutiva. Bastou carinho com a terra para ela virar a área de maior produção de grãos do País”.

A savana africana cobre 25 países, são 400 milhões de hectares, do Senegal à África do Sul, cujo aproveitamento, hoje, limita-se a 10% do total. Segundo o presidente, a tecnologia brasileira pode semear nessa fronteira um pólo agrícola de potencial superior ao do próprio cerrado brasileiro.

“Mais de 200 milhões de pessoas padecem de fome crônica na África; cerca de 33 milhões de crianças com menos de cinco anos estão sub-alimentadas, segundo dados da ONU. Uma parceria com a Embrapa pode representar, para esses povos, um avanço de décadas no acesso à tecnologia de ponta, capaz de vencer a fome, reduzir a pobreza e combater a desigualdade”, disse.

A nova unidade reforça a atuação da Embrapa no Brasil, tornando mais ágeis as suas ações de cooperação internacional. A equipe de trabalho será enxuta e contará com as competências das outras unidades. Meta do PAC-Embrapa, o novo prédio está localizado ao lado do edifício sede da empresa e recebeu recursos de R$ 9,5 milhões. Esta unidade vai gerar estudos estratégicos para o mercado brasileiro e também funcionará como uma “espécie de chancelaria da agricultura brasileira na cooperação com outros povos e nações em desenvolvimento, em todo o mundo. Temos a obrigação histórica de compartilhar nossos trunfos com povos irmãos, que travam a luta decisiva contra a fome, a pobreza e o subdesenvolvimento no século XXI”, frisou Lula.

“Poucos são os países que podem contar com uma estrutura de segurança alimentar, como tem o Brasil, construído em grande parte pelas conquistas acumuladas por essa instituição. Nossa agricultura deve colher este ano a maior safra de grãos da sua história. São quase 147 milhões de toneladas – número que supera o melhor resultado anterior, registrado em 2007/2008. Nas últimas décadas, a agricultura brasileira registrou o maior ganho médio de produtividade do mundo. Cerca de 3,5 por cento ao ano. Deixamos para trás a China, a Austrália e os EUA nesse quesito. A partir de 2003, a média foi ainda superior, da ordem de 4,5 por cento ao ano”.

O presidente disse que este cenário não é “obra do improviso” e sim, uma conquista do incremento da pesquisa científica.”Portanto, graças à existência de uma empresa pública, que nos deu o maior patrimônio de conhecimento em agricultura tropical de todo o planeta. Graças à pesquisa científica, utilizamos, proporcionalmente, uma área cada vez menor para obter uma produção cada vez maior.” Lula citou ainda o ganho de produtividade de apenas 0,5% ao ano nos próximos anos, inferior ao que tem alcançado na prática, a pecuária brasileira deve liberar área suficiente para dobrar o espaço destinado à agroenergia.

Há menos de 10 anos, o Brasil era o sexto exportador de alimentos do planeta e hoje é o terceiro, tendo passado o Canadá em 2008. Antes, já havia superado a China e a Austrália. “À nossa frente, hoje, encontram-se apenas os EUA e a União Européia – que não é um país mas um conjunto de economias. Mesmo assim, a vantagem sobre o Brasil, em alguns casos, decorre de inaceitáveis expedientes protecionistas e tarifários, como ficou demonstrado no contencioso do algodão, que denunciamos e vencemos na OMC”, ressaltou.

A Embrapa já tem um Escritório Regional na África, na cidade de Acra, capital do país africano.


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Numa rápida entrevista coletiva concedida após a cerimônia de lançamento do programa de produção do óleo de palma, o presidente Lula defendeu a mobilização nacional para industrializar o Pará. Segundo Lula, a proposta passa pelo processo inverso daquele ocorrido nas últimas décadas do século 20, quando ocorreu a exploração desordenada da madeira e do minério de ferro.

Lula explicou que a construção da usina hidrelétrica Belo Monte é um processo sem volta. O presidente acredita que a população paraense deseja o empreendimento. Explicou também que uma das questões consideradas polêmicas sobre o tamanho do lago de Belo Monte já foi esclarecida. Ou seja, o lago ocupará espaço menor do que o previsto no projeto original. Além disso, acrescentou que o governo promoveu todas as audiências com as entidades e populares envolvidas para esclarecer o empreendimento. Saiba mais sobre o projeto de Belo Monte aqui.

“Estou convencido que a maioria do povo do Pará quer a hidrelétrica”, afirmou.

O presidente foi indagado pelos jornalistas sobre as alianças partidárias para as eleições deste ano. Segundo ele, o ideal é que os partidos que integram a base do governo tenham candidatos únicos à Presidência da República e aos governos estaduais. Porém, ele acredita que em alguns estados, como por exemplo, Pernambuco, tal situação não será possível. “Temos estados em que o PMDB é radicalmente contra. Espero que situação seja resolvida mais adiante”, explicou.

Durante quase duas horas em que permaneceu no município de Tomé-Açu, distante 193 quilômetros de Belém (PA), Lula manteve contatos com as lideranças locais. Na companhia da governadora Ana Julia Carepa, o presidente fez questão de enfatizar, em diversas oportunidades, o programa de extrativismo do óleo de palma e o emprego na produção de biodiesel. A Petrobras Biocombustível irá investir R$ 330 milhões em dois empreendimentos na região. O presidente destacou a importância da parceria com a empresa portuguesa Galp Energia.

“Quando é, prefeito Carlos Vinicios, que o município de Tomé-Açu teria estes investimentos? Serão gerados aqui na cidade dois mil novos postos de trabalho”, afirmou numa conversa com políticos.

De Tomé-Açu, o presidente seguiu para Belém. Ele terá um almoço privado com a governadora seguido de audiência a lideranças políticas. Ainda hoje, a comitiva segue para o Recife. Amanhã (7/5), entre as atividades previstas, tem a entrega do navio João Cândido no estaleiro Atlântico Sul. A embarcação integrará a frota da Transpetro, braço da Petrobras.


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Não adianta ficar apenas criticando e perseguindo quem desmata a floresta amazônica com madeireiras clandestinas, é preciso oferecer oportunidades de trabalho em outras áreas para a população local, e esse é um dos principais trunfos do Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma lançado nesta quinta-feira em Tomé-Açu, no Pará, afirmou o presidente Lula, que participou da cerimônia. Lula fez questão de frisar que o projeto vai “oferecer oportunidade de trabalho para que o povo não aceite trabalhar em madeireiras clandestinas” e promover a recuperação de áreas já desmatadas da região. “Vocês vão perceber que vai ser proibido cortar uma árvore sequer para plantar a palma”, disse Lula. Segundo o presidente, a palma será plantada apenas em áreas já desmatadas e trará desenvolvimento para o Pará.

A grande procura pelo óleo de palma no mundo tem gerado preocupação em diversos países, porque em alguns deles a plantação da oleaginosa provocou desmatamentos de florestas. No caso brasileiro, o Zoneamento Agroecológico da palma só permite a plantação em áreas que já foram desmatadas antes de 2008, afirmou Lula em seu discurso. Mas o Brasil está preparado para conciliar o desenvolvimento proposto pelo programa de produção de óleo de palma com a proteção ambiental, disse o presidente.

Vamos evitar que sequer um hectare de mata nativa da Amazônia, ou de qualquer outro bioma, seja derrubado para dar lugar à palma. Da mesma forma, não terão licenciamento ambiental nem crédito oficial qualquer indústria que utilize óleo de palma produzido fora dos padrões definidos pelo governo. Além disso, como o cultivo da palma pode ser muito rentável, ele dá viabilidade econômica à recuperação, com vegetação nativa, das áreas de reserva legal. Ou seja, além de não derrubar a floresta, a palma será um instrumento para que áreas há muito tempo já transformadas em pasto voltem a ter suas características originais.

Além da recuperação das áreas degradadas da região, o plantio da palma também contribuirá na redução de emissão de gases do efeito estufa -- cada hectare da cultura de palma, quando as árvores já estão adultas, seqüestra mais de 26 toneladas de carbono.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Para ler a transcrição, clique aqui.

Além da sua sustentabilidade ambiental e poder de geração de emprego e renda, o programa de produção de óleo de palma lançado hoje no Pará também tem muita força comercial, porque o óleo de palma é hoje uma das ‘commodities’ mais valorizadas no mundo. Segundo o presidente Lula, seu consumo mundial passou de 21 para 45 milhões de toneladas na última década, representando hoje um terço do mercado mundial de óleos vegetais. O Brasil, no entanto, ainda tem uma produção incipiente no setor: apenas 67 mil hectares cultivados, respondendo a apenas 0,5% da produção mundial.

Isso faz com que hoje precisemos importar metade de tudo o que consumimos (450 mil toneladas em 2009), apesar de sermos um dos países com melhores solo e clima para a plantação do dendê. Não há justificativas para que continuemos produzindo tão pouco.

Outro ponto importante destacado pelo presidente em seu discurso foi os benefícios que o programa lançado trará aos agricultores familiares do Pará. Lula frisou que a palma produz o ano inteiro e pode gerar uma renda mensal de até R$ 2 mil para as famílias produtoras -- hoje, na Amazônia, a média de renda é de R$ 415 reais. Além disso, as plantações de palma geram, em média, 1 emprego a cada 10 hectares – uma média 3 vezes superior à encontrada geralmente no campo.

Entre as ações do programa que já estão em andamento, com investimentos garantidos, Lula destacou a parceria da Petrobras com o grupo português Galp Energia, em um projeto de mais de R$ 500 milhões que vai gerar cinco mil empregos diretos. Esse projeto envolverá agricultores familiares na cadeia de produção do biodiesel -- plantação de 50 mil hectares de palma, produção de 300 mil toneladas anuais de óleo de palma e sua exportação para Portugal, onde será transformado em biodiesel em usina que tem a Petrobras como sócia.

Os agricultores familiares interessados em ingressar na cadeia produtiva poderão se beneficiar do Pronaf Eco, que permite empréstimos de até R$ 65 mil reais, com juros anuais de 2 por cento, carência de 6 anos e prazo de pagamento de 14 anos. O diferencial desta linha é que, durante o prazo em que o agricultor familiar espera a palma produzir – o que pode durar até 5 anos – ele conta com a remuneração pela sua mão-de-obra. O crédito só será fornecido aos produtores que já tiverem firmado contrato com empresas processadoras de óleo de palma.

Estou certo de que este conjunto de ações que anunciamos hoje é um grande passo para continuarmos garantindo um futuro sustentável. E para cumprirmos o nosso compromisso maior, que é seguir protegendo a Amazônia e combatendo o desmatamento. Ao garantir renda, recuperar áreas degradadas e ordenar de forma cada vez mais racional a ocupação do solo, este programa contribui para transformar o que um dia foi chamado de Arco do Desmatamento em um verdadeiro Cinturão de Proteção da Amazônia. E este é um dos maiores legados que podemos deixar para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos.


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Hajime Yamada chegou com seus pais à região de Água Branca, no interior do Pará, em 1929. Tinha dois anos. A família desembarcou juntamente com diversos outros imigrantes japoneses convocados pela Companhia Nipônica Plantação do Brasil com uma missão: cultivar arroz e mandioca. Hajime cresceu e ganhou também um nome brasileiro, José, para facilitar a comunicação com a população nativa local. Hoje, com 83 anos, José Hajime Yamada continua na região e conversou com o Blog do Planalto.

Encontramos Yamada nos fundos de uma casa de material de construção, enquanto regava sua horta. Corpo esguio, ele fez uma única exigência antes do início da conversa: vestir uma camisa mais limpa. Hajime está muito feliz com a vinda do presidente Lula, a quem entregará um presente na festa que marca o início do programa de óleo de palma para a produção de biocombustível na cidade, que desde 1959 passou a se chamar Tomé-Açu.

“A lavoura de arroz e mandioca não foi muito longe”, disse, recordando dos velhos tempos. “Naquela época, brasileiro não comia arroz, só farinha.” Em 1945, começaram a plantar pimenta do reino, a partir de 20 mudas trazidas da Indonésia. Duas delas vingaram e se espalharam ao longo dos anos. Hoje a comunidade nipônica na região, que conta com 300 famílias (pouco mais de 1,2 mil pessoas), investe no cultivo do cacau, cupuaçu e açaí. E agora chega a palma de óleo. “Acho que isso vai ter grande futuro”, diz José Hajime.


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