Construir uma ampla frente pela reforma política no País e trabalhar pela exportação dos bons resultados das políticas sociais brasileiras para países da América Latina, Caribe e África são duas das prioridades do presidente Lula para quando deixar o governo, a partir de janeiro de 2011, segundo o próprio revelou em entrevista exclusiva à revista IstoÉ publicada na edição desta semana. Lula voltou a negar que pretenda se candidatar a um cargo na ONU ou no Banco Mundial, e afirmou ainda que o principal legado que leva dos oito anos que comandou o País é a relação que estabeleceu com os movimento sociais.
Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.
Na entrevista, que ganhou a capa da revista, o presidente Lula falou ainda de sua popularidade, de eleições presidenciais, Irã, Oriente Médio e reforma da ONU. Selecionamos alguns dos principais trechos da íntegra da entrevista, confira:
Frente ampla para reforma política
Quando eu deixar a Presidência eu vou ter 65 anos, eu ainda tenho muita contribuição para dar, ainda tenho muita contribuição para dar ao país. Eu sonho na construção de uma frente ampla no Brasil, juntar forças políticas aqui, construir um programa comum, fazer reforma partidária, que eu acho que é condição sine qua non para a gente poder mudar em definitivo o Brasil. Nós temos que ter uma reforma partidária, e isso não é coisa, não é coisa de presidente da República, isso é coisa dos partidos políticos. E eu pretendo, de fora, ajudar o meu partido a organizar, com os outros partidos políticos, a ideia da reforma política.
Popularidade e vida pós-governo
Eu não estou pensando isso ainda. Eu tenho me recusado a discutir o que eu vou fazer e como vou fazer depois que eu deixar o mandato, porque eu não sei o que eu vou sentir. O meu medo, o meu medo é tomar uma atitude precipitada do que eu vou fazer, montar alguma coisa, e depois de seis meses eu descobrir que não era aquilo que eu queria fazer. Então, eu acho que quem deixa um mandato como eu vou deixar, numa situação, graças a Deus, muito confortável, tem que dar um tempo de maturação. Eu preciso de um tempo, quem sabe, quatro, cinco ou seis meses.
Legado
Olha, eu acho que o legado mais importante que eu vou deixar foi a relação que eu estabeleci com a sociedade. Eu, no meu governo, fiz 72 conferências nacionais. Fiz conferência de GLBT, fiz conferência de política, fiz conferência de comunicação, conferência de portador de deficiência física, conferência de hanseniano, conferência de negro, conferência de índio, conferência de tudo que você possa imaginar; conferência das cidades, conferência dos sem-teto, conferência de catador de papel. Todas as políticas públicas que nós colocamos em prática é resultado de milhares de pessoas participando nos municípios, nos estados, até chegar aqui. Então, esse é o legado que eu acho que nós vamos deixar, que nenhum presidente vai ter coragem de mudar, nenhum presidente.
Tem muitas coisas que me emocionam, porque foi um processo educativo, de a gente teimar que era possível fazer e a gente poder provar o seguinte: o Palácio de um governo não é apenas para receber príncipe, rainha ou presidente, é para receber do pé descalço ao cara que está de sapato alto. E essa foi a coisa rica do governo, ou seja, os sem-teto entrarem lá dentro e chorar, os cegos entrarem lá dentro, aprovar aposentadoria para hansenianos, que ficaram mais de 30 anos em colônia, e beijar cada um, e eles chorarem, porque nunca um presidente tinha encostado perto deles, possivelmente de nojo. Então, eu acho que esse é o grande legado.
O acúmulo de acertos nas políticas sociais que nós tivemos no Brasil precisa ser socializado. E eu quero socializá-las com quem? Eu quero socializá-las com os países da América do Sul e da América Latina, quero socializá-las com os países do Caribe, quero socializá-las com os países africanos – eu já tenho muitos convites de países africanos para ir lá mostrar a ideia, o que nós fizemos.
Cargo na ONU
Tem companheiros que falam: “Olha, Lula, você… é preciso ir para a ONU”. Eu tenho uma ideia diferente: eu acho que a ONU é uma instituição que tem ser dirigida por um burocrata, que tenha consciência de que ele é subordinado aos presidentes dos países, porque se você coloca alguém lá que, por coincidência, tenha mais força que alguns presidentes, fica, no mínimo, uma anomalia. Você fica com uma instituição criada para servir os países, com gente mandando mais… Aí, imagine se a moda pega e os ex-presidentes americanos resolvem ser secretários-gerais da ONU! Não dá certo!
Ancinav
Eu vou te contar uma história, como é que a gente… Governar é uma coisa engraçada. Uma vez, o Gilberto Gil propôs criar a Ancinav. Era uma proposta, era uma proposta e, de repente, a gente estava tomando porrada de todos os lados. De todos os lados a gente estava tomando bordoada. Então, eu reuni todos os ministros envolvidos naquilo – Justiça, Fazenda, Indústria e Comércio, Cultura –, e tinha mais uns três ou quatro – Secom, Comunicação – em uma mesa, esta mesa aqui – lá no Alvorada. Eu falei, companheiros, olha, eu estou vendo pela imprensa essa proposta da Ancinav aí, nós estamos apanhando muito e eu quero saber o seguinte: se todos nós estamos de acordo com a proposta que está na mesa. Foi fantástico. Nenhum ministro concordava com a proposta.
Jornalista: Nem o Gil?
Não, porque era uma proposta para debate, era uma proposta para debate, e surgiu como se fosse uma proposta acabada do governo. Então, eu falei: pelo amor de Deus, gente, alguém tem que comunicar à imprensa que está retirada a proposta. Se ninguém está defendendo a proposta, por que ela vai continuar? Então, isso são coisas de governo que ou você toma a decisão rapidamente ou você é engolido rapidamente.
Irã
O Ahmadinejad veio aqui, nós conversamos mais de duas horas, aí eu falei: se você… se for possível a gente avançar, eu mando o Celso Amorim ir muitas vezes lá. Como a Turquia também estava tentando, então, nós fomos. O Celso Amorim e o Ministro das Relações Exteriores da Turquia começaram a conversar, e a conversar com o Primeiro-Ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. (…) Bem, aí foi chegando próximo de ir ao Irã, o Celso foi várias vezes lá, eu falei: Celso, é preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não posso fazer uma viagem inútil.
(…) Eu nasci na política, meu filho, eu nasci. Eu, toda a minha vida, desde os anos [19]69, a minha vida foi negociar; perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas negociar é a arte maior de fazer política.
Novo Conselho de Segurança da ONU
O problema é o seguinte: se a ONU continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o unilateralismo, ou seja, a posição unilateral dos americanos vai continuar prevalecendo. Quando nós propusemos fortalecer a ONU, não é a entrada do Brasil, é a entrada do Brasil, é a entrada da Índia, é a entrada da Alemanha, é a entrada de dois ou três países africanos. É, uma coisa, uma coisa para que tenha mais representatividade. Você imagina o continente africano, com 53 países, não tem ninguém! E quantos tem, europeus? E, agora, tem mais a Alemanha, convidada especial. Ou seja, aquilo não é um clube de amigos.
Paz no Oriente Médio
No Oriente Médio, veja, no Oriente Médio, eu vou terminar dizendo isso, no Oriente Médio, na minha opinião, não haverá paz enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz! Porque não vai haver? Porque ali você tem que saber o seguinte: quem é que tem força no Hezbollah? Quem é que tem força no Hamas? Qual é o papel do Irã? Qual é o papel do Catar, que é aliado dos americanos de um lado, e ajuda o Hamas de outro? Qual é o papel do Presidente da Síria? Ou você tem uma instituição que congregue todos esses países juntos, e essas organizações estabeleçam um ponto mínimo de acordo, ou nunca haverá paz.
Presidente Lula recebe os cumprimentos do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, na chegada a Casa de Nariño. Foto Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula valeu-se do prognóstico feito por ele quando indagado, em Moscou, sobre as chances de um acordo com o Irã, para cacifar sobre um possível acordo de paz entre a Colômbia e a Venezuela. Lula, que desembarcou na noite de sexta-feira (6/8), em Bogotá (Colômbia), para participar de jantar oferecido pelo presidente Álvaro Uribe, na Casa de Nariño, palácio do governo, e da posse do presidente eleito Juan Manuel Santos, disse que está “muito esperançoso” com relação ao fim do impasse dentre as duas nações.
“Vocês lembram bem quando estava em Moscou e me perguntaram sobre as chances de um acordo com o Irã. Agora, acredito 100%”, apostou o presidente brasileiro ao deixar o hotel na capital colombiana.
O fato referido pelo presidente ocorreu em maio deste ano durante reunião com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, quando assegurou que as chances de selar um acordo com o governo de Teerã era de 99,9%. Naquela ocasião, Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, buscavam entendimento com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sobre produção de energia nuclear.
Antes de chegar em Bogotá, o presidente brasileiro esteve em Caracas (Venezuela), quando reuniu-se com o presidente Hugo Chávez. A participação do chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, na posse do presidente Santos, tem sido interpretada como o sinal de entendimento entre as nações. A autorização de Chávez para que a Venezuela seja representada na cerimônia do presidente Santos abre caminho para os entendimentos.
No mesmo sentido, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, também acredita numa solução para o impasse. Garcia acompanha a visita do presidente Lula aos dois países afirmou que o Brasil pode tornar-se importante interlocutor para sacramentar a paz. Ele assegura que o momento atual deve ser de observação sobre as posições das partes.
“Poderemos ter boas surpresas num prazo relativamente curto”, avaliou Garcia.
Neste sábado, o presidente Lula comparece à Praça Bolívar, em Bogotá, para a cerimônia de transmissão de cargo. Na imprensa local, o novo presidente da Colômbia tem assegurado que somente irá se manifestar sobre a questão após assumir a presidência da Colômbia. Mais cedo, a futura ministra das Relações Exteriores, María Ángela Holguín, numa conversa com jornalistas brasileiros, explicou que o assunto deve ser observado com mais calma. Hoguin reúne-se, neste sábado (7/8), com o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) com o propósito de tratar da relação entre Brasil e Colômbia.
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O acordo nuclear do Irã dominou a maior parte da entrevista coletiva que marcou o encerramento do III Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que os termos obtidos na reunião ocorrida em Teerã (Irã), com a participação do presidente Lula, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, estão dentro das diretrizes iniciadas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo Amorim, o entendimento é parte de uma “aliança de civilizações” entre Brasil e Turquia.
Amorim disse que não vê nenhum problema no relacionamento com os Estados Unidos. Segundo ele, as duas maiores economias do continente americano devem manter o fluxo de forma normal. No entanto, o ministro brasileiro foi enfático ao responder sobre se a atitude do governo brasileiro poderia atrapalhar os planos do Brasil de vir a integrar o Conselho Permanente de Segurança das Nações Unidas.
Olha, se for para ser membro do Conselho Permanente eu tiver uma posição subserviente, é preferível não ser.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, explicou que não ocorreu nenhuma transgressão no acordo obtido junto ao governo iraniano. Ele lembrou o fato de os dos países serem autônomos e que atuaram conforme suas respectivas convicções.
O ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, Miguel Angel Moratinos Cuyaube, destacou em sua participação a importância que o Fórum Mundial da Aliança de Civilizações vem conquistando nos últimos cinco anos. A novidade -- segundo destacou -- foi a entrada dos Estados Unidos neste fórum. De acordo com Cuyaube, temas abordados na reunião do Rio de Janeiro serão ampliados, no próximo ano, no IV Fórum Mundial que acontecerá em Doha, no Catar.
Em sua primeira edição organizada fora da Europa, o Fórum Aliança das Civilizações leva para o Rio de Janeiro a oportunidade de aproximar ainda mais os países da América do Sul, afirmou o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, em ‘briefing’ concedido nesta quarta-feira (26/5) em Brasília. O 3º Fórum Aliança das Civilizações contará com a participação do presidente Lula e será palco de reuniões bilaterais com os primeiros-ministros José Luiz Zapatero, da Espanha, e José Sócrates, de Portugal.
Entre os assuntos a serem tratados com os dirigentes europeus está a crise econômica enfrentada pelos países europeus:
Além de explicar detalhes sobre o Fórum Aliança das Civilizações, Baumbach respondeu ainda questões sobre a reunião que o presidente Lula terá na quinta-feira (27/5) com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. O porta-voz afirmou que o Brasil continuará trabalhando para evitar que “as portas se fechem” para as negociações por um acordo em relação ao programa nuclear do Irã. Brasil e Turquia negociaram em Teerã os termos de um acordo para que o Irã possa apresentar garantias à comunidade internacional.
Ouça aqui a íntegra da entrevista concedida por Marcelo Baumbach:
Baumbach informou que o presidente brasileiro encaminhou carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, e mensagens aos presidentes Nicolas Sarkozy (França), Dimitri Medvedev (Rússia) e Felipe Calderón (México), além de integrandes da Unasul. “O Brasil pretende continuar no esforço para fomentar o diálogo”, assegurou o porta-voz.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (24/5), após reunião de coordenação realizada em Brasília, que a conversa do presidente Lula com o presidente iraniano Ahmadinejad foi “uma vitória da diplomacia do diálogo, quando os chefes de estado se dispõem a conversar diretamente, para além dos mecanismos usuais”. Padilha citou ainda a libertação da professora francesa Clotilde Reiss no Irã ocorreu logo após a chegada do presidente brasileiro ao Irã, como nova demonstração importante do sucesso do diálogo.
Veja aqui entrevista que o ministro Celso Amorim concedeu ao Blog do Planalto explicando a negociação feita com o Irã.
“A ação articulada entre Brasil e Turquia era o que a comunidade internacional queria que acontecesse há muito tempo e não estava obtendo sucesso”, disse o ministro, frisando que o governo iraniano entregou hoje carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA) detalhando o acordo firmado em Teerã juntamente com Turquia e Brasil. Os próximos passos, conforme o ministro, devem ocorrer no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.
A reunião de coordenação do governo realizada hoje tratou ainda da economia do País. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil está preparado para passar por qualquer crise econômica, porque tem menor vulnerabilidade externa e tem crédito em relação ao mundo. Agora é importante manter a política de responsabilidade fiscal, o controle das contas públicas e a estabilidade econômica para que o ritmo de crescimento do País não seja abalado. Mantega, além dos ministros do Planejamento (Paulo Bernardo) e Previdência Social (Carlos Eduardo Gabas), sugeriram o veto ao reajuste de 7,7% para aposentadorias superioes a um salário mínimo – aprovado pelo Congresso -, porque segundo eles as contas públicas não suportam um reajuste superior a 6,4%. O presidente ficou de analisar o assunto, afirmou Padilha, antes de tomar a decisão, que deve ser tomada o quanto antes, disse o ministro.
(Trecho em vídeo do programa Café com o Presidente, em que Lula comemora os números de abril do Caged, que revelam a criação de 305 mil novos empregos no período. Vídeo: Ricardo Stuckert/PR)
A negociação de um acordo de segurança nuclear com o Irã, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelam que o Brasil criou quase 1 milhão de empregos até 30 de abril deste ano, e o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas foram os temas abordados pelo presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente, veiculado nesta segunda-feira (24/5) pela rádio Nacional.
Lula frisou que o Brasil não foi negociar um acordo nuclear com o Irã, mas sim tentar convencer o país asiático a aceitar uma proposta feita pela Turquia e pelo Brasil para sentar à mesa de negociações. “E isso nós conseguimos”, afirmou o presidente, lembrando que o Irã entregará hoje à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) uma carta explicando os termos da negociação feita.
A ONU queria fazer sanções exatamente porque o Irã não queria sentar para negociar. Então, o Irã vai sentar para negociar. Aliás, é extremamente importante porque exatamente hoje será entregue, em Viena, para o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a carta que o presidente do Irã se comprometeu a entregar. Então, tudo aquilo que foi acordado conosco está começando a ser cumprido agora. Depois da carta, vem as conversas com a Agência, vem o depósito do urânio na Turquia, e depois, aí, o prazo para que o Irã receba, já, o urânio enriquecido. Então, se isso acontecer, é o cumprimento da primeira parte do nosso acordo, e isso está tudo escrito lá. Obviamente que esse plano é a abertura para começar as negociações. Então, eu penso que foi dado um passo importante. Acho que nós precisamos falar mais em paz do que em desavenças, mais em paz do que em guerras. O dia em que nós, dirigentes políticos, compreendermos que existe 1 milhão de razões para a gente falar de paz e não existe nenhuma razão para a gente falar de guerra, a gente vai construir a paz.
Ouça aqui a íntegra do programa:
O presidente Lula comemorou também os dados divulgados pelo Caged, que mostram que o Brasil criou 962 mil novos empregos no País até o dia 30 de abril. Foram 305 mil novos postos de trabalho somente em abril. O País deve fechar o ano de 2010 com 2 milhões de empregos criados, afirmou Lula.
Se o Brasil continuar assim, eu penso que nós daremos um salto de qualidade extraordinária para ser um dos países do mundo com o menor índice de desemprego. Todo mundo perdeu muito, muito posto de trabalho durante a crise, e nós, graças a Deus, aumentamos os postos de trabalho. Por isso eu estou feliz e vamos continuar trabalhando para a economia continuar crescendo, a inflação controlada, porque o Brasil não vai jogar fora as oportunidades do século XXI.
Outro assunto do programa Café com o Presidente desta segunda-feira foi a parceria firmada entre o governo federal e os governos estaduais e as prefeituras para o combate ao crack. Segundo Lula, a idéia é formar especialistas para aprender a lidar com o crack e encontrar soluções para o problema, com recursos da ordem de R$ 410 milhões. Mais do que simplesmente reprimir a venda e o consumo da droga, o plano tem como foco o tratamento dos usuários.
O plano vai envolver treinamento de profissionais na rede pública de saúde e assistência social para atender, sobretudo os usuários e a família. Por isso que é importante trabalhar toda a rede pública municipal, estadual e federal, todas as polícias, para que a gente possa reprimir, mas, ao mesmo tempo, você ter como objetivo principal o tratamento de usuários. Além disso, vamos trabalhar com a reinserção social e ocupacional. Então, é um compromisso novo do governo, que nós vamos trabalhar com muita força para que isso dê certo.
O presidente em exercício José Alencar elogiou o papel desempenhado pelo Brasil no Irã, contribuindo para a resolução do impasse em torno das questões nucleares envolvendo aquele país. Para Alencar, o Brasil repete uma tradição de primar pela paz e pelo diálogo.
A manifestação de Alencar sobre o tema ocorreu após solenidade de comemorações dos 23 anos do Hospital das Forças Armadas (HFAB), realizada em Brasília nesta quarta-feira (19/5).
Para Alencar, o Irã tem direito a um crédito que lhes assegure tempo para cumprir o que foi acordado. “O trabalho do Brasil é admirável sob todos os aspectos”, reiterou. Ele acredita que apesar do impasse, vai permanecer o bom-senso. Perguntado se a decisão dos Estados Unidos de manter as sanções contra o Irã não isolaria o Brasil, Alencar avalia que é muito cedo para fazer essa afirmativa. “E mesmo se tivesse, estaria isolado pelo defesa do diálogo e da paz”, enfatizou.
O Brasil será uma grande potência econômica e política e está pronto hoje para receber investimentos estrangeiros e incentivar empresas nacionais a destinarem recursos em negócios no exterior, afirmou o presidente Lula durante discurso em almoço com empresários espanhóis realizado nesta quarta-feira (19/5) em Madri (Espanha). Lula disse ainda que o Brasil terá cada vez mais importância no cenário político internacional, citando como exemplo a intermediação brasileira no acordo sobre o programa nuclear iraniano, firmado na segunda-feira (17/5) em Teerã. O problema, afirmou Lula, era fazer o Irã aceitar a negociação – e isso foi feito. “Agora depende do Conselho de Segurança da ONU”, disse.
Sobre o conflito no Oriente Médio, o presidente brasileiro criticou o monopólio das negociações por poucos países. Para Lula, é preciso fortalecer a ONU e instituir uma nova governança global, levando em consideração a participação de países africanos, latinoamericanos, Índia e Japão, entre outros.
Ouça aqui a íntegra do discurso:
Em seu discurso, Lula afirmou que “se fizermos o óbvio e apenas o óbvio, seria mais fácil governar o mundo”, lembrando por exemplo que o Brasil se dizia ‘capitalista’, mas no País não havia crédito. Bancos públicos como o BNDES dificultavam ao máximo o empréstimo, o que hoje não mais acontece, disse o presidente brasileiro . O mesmo ocorria com financiamentos da casa própria.
As medidas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos permitiram retirar 50 milhões de pessoas da pobreza, destacou Lula, transformando “cidadãos que eram marginalizados” em “consumidores”. A auto-estima da população aumentou juntamente com a economia brasileira e essas mudanças no País ocorridas nos últimos anos permitem que hoje o Brasil esteja pronto para estreitar parceria com a Espanha, disse Lula em seu discurso.
O Brasil aprendeu a ser sério. Houve tempo que ninguém acreditava no Brasil. Hoje, a comunidade internacional percebe que o Brasil tem previsibilidade. Quero dizer para os empresários espanhóis que acreditem no Brasil, que invistam no Brasil.
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Comunicado distribuído pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, nesta terça-feira (18/5), no Instituto de Feiras de Madri (IFEMA), manifesta apoio ao presidente Lula pela obtenção do acordo nuclear com o Irã. Segundo o texto, este foi o tema da reunião bilateral ocorrida durante a VI Cumbre União Européia, América Latina e Caribe.
De acordo com a nota oficial, a França fará gestão junto à Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que concorde com os termos do acordo firmado na última segunda-feira (17/5), em Teerã, durante encontro entre os presidentes Lula e Mahmoud Ahmadinejad (Irã) e o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan. Ainda no comunicado, Sarkozy diz que a França dará prioridade junto ao Grupo dos Seis países [França, Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, Alemanha e China] para discutir o assunto e as implicações que possam equacionar o impasse.
O presidente francês afirma, mais adiante, que vê como sendo positiva a cláusula na qual o Irã entregará 1.200 quilos de urânio à Turquia, com retorno para aquele país do urânio enriquecido a 20%. Essa era uma das questões colocadas na negociação sobre a produção de energia nuclear pelo Irã.
O primeiro passo foi dado, diz Marco Aurélio Garcia.
Em conversa com jornalistas na sala de imprensa da VI Cúpula União Européia, América Latina e Caribe, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, explicou que o acordo foi muito importante e que a proposta de Sarkozy de levar o tema ao Grupo dos Seis tem por objetivo apenas cumprir uma formalidade.
Garcia acredita que o mais importante foi a relação de confiança firmada entre Brasil, Irã e Turquia. Daqui para frente, segundo avaliou, será verificada a decisão do Irã de enriquecer o urânio. “O mais difícil era chegar a um acordo. Então, o primeiro passo foi dado”, explicou Garcia.
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O acordo sobre a produção de energia nuclear do Irã mereceu espaço no programa “Café com o Presidente” desta segunda-feira (17/5). O presidente Lula classificou a reunião em Teerã (Irã) concluída na madrugada desta segunda-feira (17/5) como sendo extremamente importante e destacou a atuação da diplomacia do Brasil, do Irã e da Turquia, para acertar os detalhes sobre o tema. O presidente Lula afirmou também que “há um milhão de razões para a gente ter argumento para construir a paz”.
“O Brasil teve um papel importante, sobretudo a afinidade existente entre o ministro Celso Amorim, o ministro da Turquia e o próprio ministro das Relações Exteriores do Irã, e foi uma coisa extraordinária. Eu acho que a diplomacia sai vencedora hoje. Eu acho que foi uma resposta de que é possível, com diálogo, a gente construir a paz, construir desenvolvimento. Mas eu acho que nós precisamos fazer justiça, e acho que até numa homenagem ao ministro Celso Amorim que está aqui do meu lado, porque ontem nós nos reunimos muitas vezes, mas ele ficou reunido até quase 1h da manhã, até concluir o acordo, e assinamos a declaração agora há pouco”, afirmou Lula.
Em seguida, o presidente sugeriu que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, fizesse um detalhamento sobre a questão no programa produzido pela EBC. Amorim explicou que as negociações demandaram meses e tiveram início com a visita do presidente do Irã, Mahomoud Ahmadinejad, fez ao Brasil.
“Nós havíamos percebido que, em função de uma proposta que havia sido feita pela Agência Atômica, que reconhecia o direito iraniano de enriquecer urânio, havia uma possibilidade de acordo. Mas como você bem pode imaginar, são muitos os detalhes. Então, nós tivemos que trabalhar durante muito tempo, enfrentar o ceticismo de muitos países. Mas o que eu queria lhe salientar é que essa declaração entre Turquia, Brasil e Irã contém os elementos principais que são necessários… todos os elementos que são necessários para que haja o acordo de troca de urânio por elementos combustíveis. Naturalmente, esse acordo não vai resolver todas as questões que existem na questão nuclear. Mas ele é o passaporte para que possa haver discussões mais amplas que criem a confiança na comunidade internacional e, ao mesmo tempo, permita o Irã exercer o direito legítimo à energia nuclear para fins pacíficos, inclusive com enriquecimento”, destacou o ministro Amorim.
O ministro acredita que os termos do acordo firmado em Teerã são suficientes para evitar sanções internacionais ao Irã. Amorim contou que o presidente Lula, naquele momento, acabará de conversar com o presidente a França, Nicolas Sarkozy, e que os desdobramentos passaram por contatos com autoridades americanas, russas e chinesas.
“Nós negociamos com a consciência das questões e das preocupações que eles têm. Eu não vejo nenhuma razão, nem a Turquia que, aliás, é um país membro da Otan, portanto, é muito ligado, aliado, aliado militar, até, dos Estados Unidos, então, claro, cada um fará seu julgamento, mas nós não vemos nenhuma razão para que haja continuidade nesse movimento em favor de sanções. Vamos continuar, quer dizer, vamos continuar discutindo e vamos ver o que vem, o que vai acontecer. Sempre achamos que era necessário dar um crédito de confiança à paz e à negociação. Agora nós temos as condições materiais para que esse crédito de confiança exista,” contou.
Depois, o presidente Lula voltou a conversar sobre o tema. Segundo ele, o Brasil sempre acreditou que era possível fazer o acordo e considerou importante a relação de confiança estabelecida entre os países envolvidos no processo.
“Nós temos que acreditar nas pessoas, e eu penso que nós conseguimos um grande intento. Eu, ontem, fiquei muito feliz porque foi uma vitória da diplomacia. Quando os diplomatas se reúnem em torno de uma causa séria e têm o apoio dos seus presidentes, a coisa acontece. Então, meu caro, eu estou embarcando agora, neste momento, para Madrid, vou participar da Cúpula União Europeia-América Latina, depois vou participar da Cimeira Brasil-Portugal e, na quinta-feira de manhã estarei no Brasil”, destacou o presidente no programa.
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