Viagens internacionaisOnde há conflito, há uma oportunidade para as partes sentarem e negociarem uma solução, e os chefes de Estados tem a obrigação política de conversarem entre si sempre que um problema mais sério aparece, afirmou o presidente Lula esta terça-feira (8/3) durante sessão de abertura da 39ª Reunião de Cúpula do Mercosul, que está sendo realizada em San Juan, na Argentina. Num discurso improvisado, o presidente brasileiro afirmou aos colegas que sempre acreditou no poder do diálogo para a solução dos conflitos e que para restabelecer a harmonia entre Colômbia e Venezuela será preciso que os presidentes Hugo Chávez e Juan Manoel Santos sentem à mesa para conversar.

Não é possível que as pessoas não conversem (…) Em política, não se pode terceirizar o mandato que o povo nos deu. Em política, quem foi eleito precisa exercer o seu mandato e fazer o que tem que ser feito: negociar, conversar.

Lula lembrou aos presentes que mesmo enfrentando muita desconfiança e pessimismo, conseguiu negociar com o Irã um acordo para o seu programa nuclear, coisa que os países do Conselho de Segurança da ONU -- Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, China e França -- afirmavam ser impossível. E o mesmo pode ser feito na disputa entre Colômbia e Venezuela. O presidente brasileiro aproveitou a oportunidade para dizer como se vingará do presidente colombiano Álvaro Uribe, que o criticou por declarações feitas sobre o conflito:

Ouça a íntegra do discurso:

Lula fez também uma pequena retrospectiva da evolução do Mercosul nos últimos anos, lembrando que é o presidente mais antigo entre os integrantes hoje do bloco econômico. Elogiou os avanços conquistados e o fortalecimento da parceria entre os países sulamericanos, algo que quando iniciou o seu mandato em 2002 não era visto com bons olhos por setores da sociedade brasileira, que preferia a Alca proposta pelos Estados Unidos.

Mas o tempo passou e hoje o Mercosul é uma grata realidade, elogiou Lula. Houve avanços econômicos e políticos, e os países se respeitam mais hoje. E além do grande fluxo comercial entre os países sulamericanos, o Mercosul promoveu também parceria estratégicas com países africanos e árabes. Falta ainda, lembrou o presidente brasileiro, o acordo com a União Européia, o qual perseguirá nos próximos cinco meses que terá a presidência do Mercosul. “É um sonho meu fazer esse acordo com a União Européia”, disse Lula.

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