Café com o presidenteA boa relação que o Brasil tem com todos os países e facções políticas do Oriente Médio torna o País um interlocutor importante no processo de paz na região, afirmou o presidente Lula em seu programa de rádio Café com o Presidente desta segunda-feira (22/3), no qual fez uma avaliação positiva da viagem da semana passada a Israel, territórios palestinos e Jordânia.

Não é que o Brasil queira se meter na discussão. É que nós estamos compreendendo que as pessoas e os países que estão envolvidos na questão da crise do Oriente Médio estão percebendo que o Brasil pode ajudar, pela boa relação que o Brasil mantém com todos os países e com todas as facções políticas do Oriente Médio.

A viagem ao Oriente Médio também serviu para ampliar as relações comerciais brasileiras na região, discutindo acordos do Mercosul com palestinos e jordanianos nos mesmos moldes do firmado com israelenses. No entanto, frisou Lula, o desenvolvimento econômico depende do acordo de paz. “Somente a paz é que pode permitir que haja desenvolvimento econômico, distribuição de renda e justiça social.”

Ouça aqui a íntegra do programa:

Para ler a transcrição do programa, clique aqui.

O presidente Lula afirmou que tanto israelenses como palestinos querem a ajuda do Brasil para conversar com interlocutores com os quais eles próprios têm dificuldades de se relacionar. O Brasil defende a tese de que o processo de paz deveria ser estabelecido pela ONU, por meio de demarcação de fronteiras, delimitação de parâmetros para o acordo e a defesa do cumprimento do acordo.

Sem a ONU, afirma Lula, existe o vácuo: “todo mundo fala sobre a crise do Oriente Médio, mas ninguem resolve”.

Mas ainda assim, o presidente brasileiro afirma estar otimista:

Eu sempre estou otimista porque eu não acredito em coisas impossíveis. Eu acredito em coisas difíceis e, para resolver as coisas que são difíceis, a política precisa estabelecer política de diálogo, de conversações, de entendimento. Não existe nada, nada neste mundo que não seja, eu diria, consertado. Nós temos um problema, às vezes até passional entre palestinos e israelenses. E eu acho que o Brasil, com a sua formação política, com a sua história, com a experiência pacifista do Brasil, a gente pode dar uma contribuição enorme para a paz no Oriente Médio.

E aí, meu caro, eu sei que tem gente que acha que “ah, mas o Brasil não deve se meter porque o Brasil não entende do assunto, porque o Brasil é pequeno”, aqueles que sempre acham que o Brasil não pode nada. E como eu acho que o Brasil pode, e o Brasil pode conseguir, eu estou convencido de que o Brasil não pode voltar atrás. Nós precisamos conversar com iranianos, com sírios, com Israel, com palestinos, com o Hamas, com o Hezbolah. Com que tiver problema com conflito no Oriente Médio, o Brasil tem que conversar e tentar ajudar a encontrar uma solução para que a gente viva em paz, definitivamente, no Oriente Médio.


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