(Entrevista concedida pelo ministro Celso Amorim em Amã, na Jordânia. Vídeo: Ricardo Stuckert/PR)
Viagens internacionais
O Irã tem grande influência no Oriente Médio e pode exercê-la de forma positiva para fazer com que grupos como Hamas e Hezbollah troquem a força pelo diálogo e aceitem um acordo de paz na região, afirma o ministro Celso Amorim em entrevista exclusiva concedida ao Blog do Planalto. “Acho que entrar no diálogo já significa modificar certos comportamentos. É isso que esperamos que possa ocorrer: ao serem chamados para um diálogo, esses grupos também mudem seu comportamento. Se não houver essa mudança, as soluções ficam bem mais problemáticas.”

A influência iraniana e a necessidade de dar garantias à comunidade internacional de que seu programa nuclear será usado de forma pacífica são as duas principais discussões a serem abordadas pelo presidente Lula na viagem que fará ao país em maio. Na questão nuclear, Amorim avalia que é importante reconhecer o direito do Irã desenvolver um programa nuclear pacífico mas frisou que a comunidade internacional precisa receber garantias firmes de que esse programa não será desviado para fins militares.

Chegar a um acordo aqui (nesse tema nuclear) é difícil, mas não impossível. O Brasil está empenhado para encontrar a saída. Melhor do que ficar trabalhando sobre hipóteses que muitas vezes não se confirmam, como foi no caso do Iraque -- e descobrir isso depois que 200 mil pessoas morreram.

O ministro Celso Amorim afirma que o Brasil tem muito a contribuir com a questão do Oriente Médio, porque é um País que inspira confiança:

O que o Brasil diz é bem recebido, as pessoas falam com o Brasil com uma franqueza, que dificilmente falam com outros interlocutores, não tem medo de falar com ele. Essa confiança é, digamos, a mercadoria mais importante numa negociação de paz, o Brasil traz consigo. Isso é o grande trunfo que o Brasil tem.

Isso ficou claro durante a passagem do presidente Lula por Israel e Palestina, quando foi aplaudido por representantes políticos dos dois países sempre dizendo mensagens verdadeiras, afirma Amorim. “Ele não falou para agradar os israelenses de um lado e os palestinos do outro. Em Israel ele criticou os assentamentos (em Jerusalém Oriental), mas na Palestina falou que é preciso respeitar os direitos de Israel”.

Para Amorim, a injeção de novos ares nas negociações, com a inclusão de novos interlocutores, é saudável para o processo e o momento não poderia ser melhor. As críticas dos Estados Unidos aos assentamentos israelenses é um “momento crucial”, avalia o ministro.

Esses problemas que ocorreram agora talvez obriguem as partes, e sobretudo neste caso Israel, a pensarem bastante no que é necessário fazer para garantir que esse processo de paz continue.

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