O que o mundo precisa hoje é de mais diálogo, comida e emprego, não de violência como a promovida por soldados israelenses ontem contra ativistas que pretendiam entregar ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (1º/6) em visita à fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), reforçando as críticas do governo brasileiro ao incidente. “Israel não tinha direito de fazer o que fez. Não é o uso de armas que vai garantir a paz”, disse Lula, em entrevista coletiva à imprensa após o evento.

O diálogo é a melhor forma de resolver os conflitos, não atirando como Israel atirou ontem num barco turco que ia levar comida para a Faixa de Gaza, um barco que estava em águas internacionais. (…) Em vez de armas, em vez de balas, mais comida e mais diálogo. Mais emprego e mais salário, para que a gente possa resolver todas as crises do mundo.

Ontem o Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou nota condenando o ataque israelense à frota de ativistas pró-Gaza e defendendo uma convocação extraordinária do Conselho de Segurança da ONU -- ver aqui.

Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente na visita à fábrica da Volkswagen:

Para ler a transcrição do discurso, clique aqui.

Em sua última visita à Volkswagen como presidente da República, Lula lembrou dos seus primeiros momentos no movimento sindical, a partir de 1975, e de tudo que os sindicalistas conquistaram de lá para cá. “Naquele tempo, os especialistas em sindicalismo diziam que era bobagem eu entrar no sindicato, porque a legislação sindical brasileira era cópia fiel da Carta del Lavoro do Mussolini na Itália, não dava para fazer nada porque a lei proibia”, destacou. “Proibia até trabalhadores de fazer greve.”

Mas em três anos, lembrou Lula, a história do movimento sindical brasileiro foi mudada. Em 1978 ocorreu a primeira greve no País desde 1968. E assim a relação entre os trabalhadores e as empresa foi mudando e as conquistas foram sendo realizadas. O presidente Lula lembrou ainda da criação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, para suprir a ausência de representantes dos trabalhadores no Congresso Nacional. “A idéia era de que a classe trabalhadora pudesse reivindicar também o direito de governar o País.”

Lembrou também de quando chegou à Presidência da República, da preocupação que tinha em não repetir o fracasso de Lech Walesa na Polônia. “Eu não podia fracassar, porque aí nunca mais um trabalhador poderia chegar à Presidência”, disse Lula. “Eu tinha que provar que nós podíamos governar, ser melhor do que os que governaram antes de nós neste País.”

Ao final de seu governo, Lula está convicto de que o Brasil vive um momento mágico, bem como o movimento sindical, que “só não conquistou no meu governo aquilo que não reivindicou”. No caso da redução da jornada de trabalho para 40 horas, cobrada por alguns sindicatos, Lula afirmou que não poderia fazê-la de cima para baixo. “Tem que vir de baixo para cima”, frisou.

Lula agradeceu ainda o apoio que os trabalhadores de São Bernardo do Campo (SP) deram a ele durante os momentos mais difíceis de seu governo. Em 2005, no auge da crise do ‘mensalão’, surgiu na cidade uns adesivos que diziam: “Mexeu com Lula, mexeu comigo”. “Hoje sou o presidente mais bem avaliado do País, e devo isso a vocês, que me apoiaram quando mais precisei”.


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