crise econômica


A crise econômica que atingiu os mercados internacionais no final de 2008 foi necessária para que setores da sociedade brasileira entendessem que não era “uma questão de sorte” o bom andamento da economia do País. Segundo afirmou o presidente Lula durante a 32ª Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, realizada nesta quarta-feira (9/12) no Palácio Itamaraty, em Brasília, o Brasil estava preparado antes da crise e saiu dela forte o suficiente para manter o crescimento e desenvolvimento do País. Para manter o ritmo em 2010, será preciso ainda mais trabalho, afirmou:

Eu quero fazer como eu faria, se eu fosse técnico: no ano que vem, Guido, nós vamos ter que trabalhar muito mais, porque antes a gente não tinha nada e a gente não tinha com que se preocupar muito. Hoje nós já temos um patrimônio. E assegurar que esse patrimônio seja mantido vai exigir de nós mais trabalho do que nós tivemos este ano e no ano passado.

Confira aqui a íntegra do discurso:

Lula contou que os técnicos brasileiros, em outras ocasiões, quando negociavam com funcionários do FMI, sequer eram recebidos pelos diretores da entidade. O tratamento, segundo relato, colocava o País num grau inferior de importância. Na atualidade, a situação se inverteu -- o Brasil já emprestou US$ 14 bilhões ao FMI e hoje tem poder de veto na instituição.

O presidente informou também as projeções do Ministério do Trabalho sobre criação de empregos este ano. Segundo Lula, em 2009 serão criados 1,3 milhões de postos e trabalho, mesmo após a crise econômica mundial. Enquanto isso, lembrou o presidente, os Estados Unidos comemoram redução na taxa de desemprego.


[7] Comentários

Em sua declaração conjunta e entrevista coletiva após o encontro com o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, o presidente Lula destacou que além das oportunidades comerciais, é importante que Brasil e Ucrânia explorem suas posições convergentes sobre temas de interesse global. Para ele o momento exige firmeza e coerência dos líderes mundiais para enfrentar os desafios desse início de século, agora que os fatos mostram que o mundo não pode ser regido por um grupo de 7 ou 8 países ricos sem levar em conta mais da metade da humanidade.

Ouça a íntegra da declaração :

Para ler, clique aqui.


Lula acredita ser imperativo que os paradigmas da governança mundial mudem, especialmente depois que a última crise econômica provou que estavam errados:

“A crise é resultante da hegemonia de paradigmas econômicos e políticos profundamente equivocados que encobriam desenfreada especulação. Dominavam teses sobre as excelências do Estado mínimo, sobre as vantagem das privatizações de empresas publicas, sobre a crítica forte à presença reguladora do Estado… Tudo isso conduziu a economia global a beira do abismo. Mas a crise é também uma oportunidade para a construção de uma nova ordem e governança internacionais.”

Para o presidente é preciso reformar as Nações Unidas com a inclusão de novos membros para que enfim a instituição responsável pela paz mundial possa avançar em legitimidade e eficácia. Para ele as organizações políticas e econômicas multilaterais já não podem prescindir da legitimidade dos países em desenvolvimento para a tomada de decisões. Não faz sentido que o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, por exemplo, continuem a operar nos moldes tradicionias depois de o Brasil – e vários outros países em desenvolvimento – emprestar US$ 14 milhões para o Fundo.

Cooperação Brasil – Ucrânia

Depois de duas décadas de relações diplomáticas, Ucrânia e Brasil já se ajudam em muitas áreas. Por exemplo, têm acordo de cooperação espacial e buscam se tornar atores relevantes no uso pacífico do espaço. Juntos esperam realizar o primeiro voo de qualificação do veículo de lançamento do satélite Cyclone-4 ainda em 2010. Lula destacou que a produção de satélites e de veículos lançadores é componente essencial do projeto de defesa do território brasileiro, e terá efeitos multiplicadores em atividades de sensoriamento remoto, serviços meteorológicos e controle do espaço aéreo nacional. Na área da defesa, pretendem explorar a complementariedade industrial para produzir juntos equipamentos de defesa.

Outro campo de cooperação é no esporte. Técnicos ucranianos elevaram a ginástica artística brasileira a outro patamar, formando inclusive campeões mundiais. Em sua fala agradeceu ao voto da Ucrânia no Rio de Janeiro como sede das olimpíadas de 2016 e disse que a ajuda do país na preparação de atletas brasileiros será fundamental.


[150] Comentários

O futuro da economia brasileira depende da capacidade de trabalho da sociedade, que está madura e sabe fazer as escolhas certas. Foi assim que o País enfrentou e superou a crise econômica mundial, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva concedida por escrito publicada nesta sexta-feira no jornal Metro (edição São Paulo e ABC). E a manutenção e o aprofundamento desse rumo serão defendidos durante a campanha eleitoral de 2010:

(…) Esperamos contar com a solidariedade dos eleitores, que aprovam o que fizemos, apóiam nossa luta diária pela eliminação da fome, pela erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais e regionais, pelo crescimento com distribuição de renda. Todas as nossas iniciativas sempre se pautaram pela necessidade de crescer para gerar riquezas para todos e pela necessidade de retirar milhões de brasileiros da situação de carência e abandono.

Confira aqui a íntegra da entrevista.

O presidente falou também sobre as diferenças do seu governo em relação à gestão anterior, lembrando que antes o Estado era considerado um entrave para o desenvolvimento do País:

O governo anterior achava que o Estado atrapalhava o desenvolvimento do País, e fez tudo para desmontá-lo. Para eles, o mercado era um deus. A crise financeira internacional, que nós superamos com elogios do mundo inteiro, mostrou que estávamos certos ao recuperar a capacidade do Estado ser um indutor e organizador do desenvolvimento.

Questionado sobre o andamento das obras do PAC, Lula afirmou que seu governo foi o que mais investiu em infraestrutura (logística, energética e social e urbana) e que os projetos do programa estão espalhados por todo o País, beneficiando todas as regiões. Destacou as obras das usinas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, na região amazônica, “a maior obra de engenharia dos últimos 22 anos no Brasil”, lembrando que o complexto será um dos maiores do mundo.

A maioria das obras do PAC ficará pronta até o final do nosso mandato. E nós já tomamos a decisão de não parar por aqui. Vamos deixar muitos projetos engatilhados para que o próximo governo possa iniciar as obras já no seu primeiro ano. Se outros tivessem feito isto antes de nós, hoje o país estaria num estágio muito mais avançado do que está.


[111] Comentários

Presidente Lula discursa na sessão de abertura da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da FAO em Roma, Itália. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula discursa na sessão de abertura da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da FAO em Roma, Itália. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O mundo não terá êxito no combate à fome se os padrões de cooperação internacional não forem alterados e os países desenvolvidos não cumprirem os compromissos assumidos e aumentarem os níveis de assistência ao desenvolvimento de países mais pobres, afirmou o presidente Lula nesta segunda-feira, em Roma (Itália) na sessão de abertura da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O sistema multilateral de comércio precisa livrar-se dos vergonhosos subsídios agrícolas dos países ricos. Eles sabotam a incipiente agricultura dos países mais pobres, cancelam suas esperanças de fazer dela uma ponte para o desenvolvimento.

Ouça aqui a íntegra do discurso:

Lula enfatizou que modelos impostos de fora que inviabilizam políticas públicas de estímulo à agricultura dos países em desenvolvimento não fazem mais sentido. É preciso respeitar as experiências acumuladas nos próprios países beneficiários.

O presidente citou o sucesso da experiência brasileira e de outros países no enfrentamento da fome, que exige vontade e determinação política. No Brasil, afirmou Lula, programas como o Bolsa Família, principal instrumento do Fome Zero, conseguiram criar uma forte rede de proteção social articulada com políticas de estímulo à agricultura familiar. Com isso, afirmou, o Brasil conseguiu tirar 20 milhões e 400 mil pessoas da pobreza e reduzir em 62% a desnutrição infantil no Brasil.

Mas o Estado brasileiro não está sozinho nesse esforço. Conta com o engajamento indispensável dos movimentos populares e de diversos setores da sociedade civil, por meio do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, diretamente vinculado à Presidência da República. Com isso, logramos alcançar o 1º Objetivo de Desenvolvimento do Milênio bem antes do prazo estabelecido. Agora trabalhamos para a total erradicação da fome no Brasil.

O presidente Lula lembrou aos presentes que conhece de perto a fome, a pobreza e a exclusão social, “uma experiência de vida, mais do que uma percepção intelectual”, e por isso está convicto de que o caminho está correto e deve ser exemplo para o mundo.

Citou ainda a crise econômica mundial, em que foram gastos centenas de bilhões de dólares para salvar bancos falidos, lembrando que com menos da metade desses recursos seria possível erradicar a fome em todo o mundo. O combate à fome, no entanto, afirmou o presidente Lula, “continua praticamente à margem da ação coletiva dos governos”:

É como se a fome fosse invisível. Muitos parecem ter perdido a capacidade de se indignar com um sofrimento tão longe de sua realidade e experiência de vida. Mas os que ignoram ou negam esse direito acabam por perder sua própria humanidade.

O Brasil quer, afirmou o presidente Lula, que a ONU e a FAO tenham papel decisivo na construção de um mundo sem fome, e por isso o Brasil tem trabalhado para reformar o Comitê de Segurança Alimentar, que deve se transformar em um foro representativo de todos na construção de uma parceria global para a agricultura e a segurança alimentar.

Mais que um lamento, esta é uma convocação. Já afirmei, e faço questão de reiterar, que a fome é a mais terrível arma de destruição em massa existente no nosso Planeta. Na verdade, ela não mata soldados, ela não mata exércitos. Ela mata, sobretudo, crianças inocentes que morrem antes de completar um ano de idade. Vencê-la está, realisticamente, ao alcance de nossas mãos. Só assim abriremos caminho para um mundo justo, livre e democrático com que todos nós sonhamos.

PRÊMIO PELA LUTA CONTRA A FOME

Presidente Lula e as luxas que recebeu da ONG ActionAid em homenagem aos programas criados por ele para combater a fome no Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula recebeu hoje, em Roma, um par de luxas da ONG ActionAid, em reconhecimento por sua luta para erradicar a fome no planeta e homenagem aos programas do governo nessa área. Segundo a instituição, o Brasil teve o melhor desempenho no mundo em ações contra a fome.


[110] Comentários

Um País sólido economicamente e com ritmo de crescimento que chegará a 5% do PIB em 2010 foi apresentado hoje de manhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a empresários italianos que participam do II Fórum Econômico Brasil-Itália, que acontece na sede da Fiesp, em São Paulo. Mantega afirmou que, mesmo com a taxação promovida pelo governo para a entrada de investimentos no mercado interno, o País quer que o capital venha: “O que não queremos é que haja um exagero. O que estamos garantindo é que não haverá bolhas”, afirmou.

O ministro destacou o crescimento do PIB nos últimos trimestres e aposta numa retomada do aumento do volume de riquezas em média em 5% nos próximos anos, sinalizando aos empresários presentes que o Brasil está pronto para receber investimentos em setores como o automobilístico e o de construção civil. Outra área em expansão, apontou Mantega, é o de petróleo. O ministro lembrou que a Petrobras tem planos de investimentos da ordem de US$ 200 bilhões para os próximos cinco anos, com a contratação de plataformas de produção de petróleo e embarcações.


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Um País sólido economicamente e com ritmo de crescimento que chegará a 5% do PIB em 2010 foi apresentado hoje de manhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a empresários italianos que participam do II Fórum Econômico Brasil-Itália, que acontece na sede da Fiesp, em São Paulo. Mantega afirmou que, mesmo com a taxação promovida pelo governo para a entrada de investimentos no mercado interno, o País quer que o capital venha: “O que não queremos é que haja um exagero. O que estamos garantindo é que não haverá bolhas”, afirmou.

O ministro destacou o crescimento do PIB nos últimos trimestres e aposta numa retomada do aumento do volume de riquezas em média em 5% nos próximos anos, sinalizando aos empresários presentes que o Brasil está pronto para receber investimentos em setores como o automobilístico e o de construção civil. Outra área em expansão, apontou Mantega, é o de petróleo. O ministro lembrou que a Petrobras tem planos de investimentos da ordem de US$ 200 bilhões para os próximos cinco anos, com a contratação de plataformas de produção de petróleo e embarcações.


[90] Comentários

Na primeira etapa da agenda da visita a Inglaterra, o presidente Lula teve dois compromissos importantes nesta quarta-feira (4/11). Ele recebeu os empresários Lakshmi Mittal, presidente do grupo Arcelor Mittal - um dos maiores conglomerados siderúrgicos do mundo -, e, em seguida, Franklin Feder, presidente do grupo Alcoa. Durante a reunião com Lakshmi, Lula destacou as medidas de governo para enfrentar a crise financeira mundial com destaque à redução do IPI para incrementar os mercados de carros e de produtos e linha branca. O presidente brasileiro contou também a atuação do Banco do Brasil na aquisição de carteiras de bancos, entre eles o Votorantin.

Lakshmi manifestou o interesse do grupo no Brasil e reforçou o propósito de manter o plano de investimento no País. Segundo o executivo, o grupo Arcelor Mittal mantém o compromisso em seguir com os empreendimentos em território brasileiro. Lula explicou ao empresário que a presença de grandes grupos como o Mittal ajuda o País a superar seus enormes déficits sociais. Lula aproveitou ainda para detalhar o programa Minha Casa, Minha Vida.

Após os encontros com Lakshmi e Feder, Lula concedeu entrevista ao jornal Financial Times.

Neste momento, o presidente participa de cerimônia de inauguração do escritório do BNDES em Londres. Depois se reunirá com o primeiro-ministro Gordon Brown, do Reino Unido, em sua residência oficial na capital britânica. Amanhã (5/11), o presidente brasileiro participa de seminário com empresários brasileiros e ingleses, se encontra com a rainha Elizabeth II e à noite recebe o prêmio Chatham House.


[166] Comentários

O bom momento brasileiro não tem nada de ‘milagre’, mas sim de trabalho duro dos brasileiros ao longo das últimas décadas, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva concedida por escrito ao jornal venezuelano El Universal, publicada nesta quinta-feira.

Consolidamos a democracia, derrotamos a inflação, retomamos o crescimento e estamos construindo uma sociedade moderna e cada vez mais justa com todos os seus cidadãos. Do meu período na Presidência, iniciado em 2003, destaco como as maiores conquistas a retomada do desenvolvimento econômico e da capacidade do Governo de investir na educação e na infra-estrutura, além dos programas sociais voltados para as camadas mais pobres da população.

Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Lula viajou na tarde desta quinta-feira para a Venezuela onde se encontrará com o presidente Hugo Chávez e participará da inauguração do Consulado-Geral do Brasil e do escritório da Caixa Econômica Federal (CEF) em Caracas. Na sexta-feira (30/10), Lula e Chávez visitarão uma plantação de soja em El Tigre, um projeto de cooperação com a Embrapa.

Ao falar sobre as eleições presidenciais no Brasil em 2010, Lula afirmou que Dilma Roussef conta com sua total confiança:

A ela confiei o comando do principal programa de obras do Governo no segundo mandato, o Programa de Aceleração do Crescimento, e os resultados mostram sua grande capacidade como gestora e como líder. Sua experiência acumulada como parte de nossa equipe desde o início, em 2003, e sua identidade com nosso projeto para o País asseguram que continuaremos a crescer e a diminuir as desigualdades sociais e regionais ainda existentes.

Lula disse que seria uma grande conquista para as brasileiras fazer história com a eleição da Dilma e revelou ter esperanças de ver a ministra da Casa Civil como a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil:

O caráter simbólico dessa conquista é poderoso, e espero contribuir para que ela aconteça.

Lula apontou a integração regional na América do Sul como uma de suas prioridades na política externa. Explicou ainda o envolvimento do Brasil na crise política de Honduras:

Essa página da História ficou para trás e não deve mais voltar. O envolvimento direto ocorreu em razão da decisão do Presidente Zelaya de pedir proteção na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, e obviamente não poderíamos negar essa proteção a ele ou a quem considere estar com sua vida em risco por conta das posições políticas que defenda. Muitos integrantes do meu governo e da oposição no Brasil tiveram que se refugiar em Embaixadas estrangeiras durante o regime militar em nosso país nos anos 60 e 70.

Espero que um acordo político possa solucionar a crise em Honduras. Vejo que as forças políticas hondurenhas estão empenhadas nesse sentido, e, para isso, contam com o apoio da comunidade internacional e de organismos como a OEA. O que não se pode perder de vista é que Manuel Zelaya é um Presidente eleito democraticamente, e esse fato deve ser respeitado nas negociações. O Brasil não reconhecerá um novo governo em Honduras que resulte de eleições conduzidas por um regime golpista.

Outros temas tratados pelo presidente Lula na entrevista foram as bases americanas na Colômbia, a instituição do Conselho de Defesa da Unasul e a crise econômica mundial.


[140] Comentários

Presidente Lula concede entrevista a Kennedy Alencar e Alan Marques (fotógrafo), do jornal Folha de S. Paulo, em seu gabinete no Centro Cultural Banco do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula concede entrevista a Kennedy Alencar e Alan Marques (fotógrafo), do jornal Folha de S. Paulo, em seu gabinete no Centro Cultural Banco do Brasil. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A crise econômica, as eleições presidenciais de 2010 e a política nacional foram os temas centrais da entrevista que o presidente Lula concedeu ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira.

Leia aqui a íntegra da entrevista:

Para ouvir, clique aqui:

Confira abaixo um resumo:

Crise econômica

(…)  Nós discutimos no Brasil, com vários especialistas e com especialistas também de outras partes do mundo, que o Brasil sentiria muito pouco a crise, por algumas razões: porque a economia estava sólida, porque nós tínhamos diversificado as nossas exportações e porque os bancos brasileiros eram bancos que tinham muito maior solidez e muito maior controle do Banco Central.

(…) Porque nós tomamos medidas imediatas. Imediatamente, nós liberamos R$ 100 bilhões do compulsório, para irrigar o sistema financeiro. Logo em seguida, nós fizemos com que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal agilizassem ainda mais a liberação de crédito. Fizemos o Banco do Brasil comprar carteiras de bancos menores que estavam prejudicados, fizemos o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa, em São Paulo, e comprar 50% do Banco Votorantim. E por que nós fizemos isso? Porque era preciso que os bancos públicos entrassem em outra fatia do mercado. Eles não tinham expertise. Então, nós precisávamos comprar para começar a financiar, por exemplo, carro utilizado [usado].

Uma das coisas que eu tenho dito a minha inconformidade nos debates com os empresários – você já deve ter assistido – é que houve nos meses de novembro e dezembro uma parada brusca de alguns setores da economia, na minha opinião, desnecessária. Alguns setores empresariais resolveram colocar um breque de forma muito, mas muito rápida, sobretudo se você começar pelo setor automobilístico, que seguia orientação das matrizes, que estavam em uma situação muito delicada. Tinham um estoque razoável, nós estávamos em uma situação privilegiada de produção e de venda de carro, de repente, a indústria automobilística parou.

Ora, quando a indústria automobilística para, para uma cadeia produtiva que representa 24% do PIB industrial brasileiro e outros setores que tinham, inclusive, já empréstimos assegurados com o BNDES pararam, porque ninguém sabia o que ia acontecer. Ora, quando isso aconteceu, o que nós fizemos? Nós resolvemos tomar as decisões que tínhamos que tomar aqui. Fizemos as desonerações que tínhamos que fazer, fizemos a liberação do financiamento, o Meirelles colocou dinheiro da nossa reserva para facilitar os nossos exportadores e depois nós descobrimos uma outra coisa grave, que eram os derivativos feitos por algumas empresas que não pareciam que faziam derivativos. E aí foi um outro problema que nós tivemos que conversar com empresa por empresa, cuidar de discutir como financiar, como evitar que algumas empresas quebrassem e colocamos o BNDES em ação.

Eleições 2010

Olha, não estava em discussão quem era PT mais puro-sangue ou menos puro-sangue. Não era uma questão de sanguinidade que estava sendo discutida, era uma questão de viabilidade política. Porque a Dilma é, na minha opinião, a mais competente gerente que o Estado brasileiro já teve. A capacidade de trabalho da Dilma, a competência dela e o passado político dela e o presente, me fazem garantir que a Dilma é uma excepcional candidata a presidente da República. A Dilma, além de ser uma extraordinária gestora, a Dilma é um extraordinário quadro político. Ela é um quadro político excepcional, tem firmeza ideológica, tem compromisso, tem lealdade, sabe o lado em que está. Por isso ela foi escolhida. Muito preparada para presidir o Brasil, muito preparada. E hoje conhece o Brasil como ninguém.

Deixe-me falar uma coisa. Porque uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem, e eu conheço bem a personalidade dela, vai exigir que eu tenha o bom senso que eu tive quando elegi o Meneguelli presidente do Sindicato de São Bernardo e quando elegi o Zé Dirceu presidente do PT: rei morto, rei posto. A Dilma, no governo, ela tem que criar a cara dela, o estilo dela e o jeito dela governar. Rei morto, rei posto, meu filho.

(…) Mas eu vou dizer para você uma coisa: a Dilma vai surpreender este país. Quem pensa que a Dilma é uma mulher grosseira, uma mulher dura, depende… Se você, na sua casa, for com uma gracinha que desgoste a sua mulher, ela vai te dar um tranco; mas se a conversa for séria, ela não vai dar. E a Dilma tem toda a clareza disso.

Amadurecimento

A pessoa aprimora. Eu vou te contar um detalhe: naquela campanha, por exemplo, eu passava o tempo inteiro falando, a minha vida inteira, vou fazer reforma agrária radical, ampla e radical sob o controle dos trabalhadores. Nós fizemos uma pesquisa e 85% do povo achava que a reforma agrária tinha que ser pacífica. Eu levei mais de 15 dias para que a minha boca pudesse proferir a palavra reforma agrária tranquila e pacífica. Essas mudanças têm que ter.

Crise no Senado

O PT teve um candidato ao Senado, que foi derrotado. Eu não entendia por que os mesmos que elegeram o Sarney, um mês depois queriam derrotá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era uma questão de segurança institucional. Você viu que o Senado está calmo, está funcionando. Porque muitas vezes, Kennedy, é preciso que a gente trabalhe com juízo. O que eu acho importante em um presidente da República é que ele… Qualquer cidadão, você, o Franklin Martins, um empresário, qualquer um pode perder a cabeça. Um presidente da República não pode perder a cabeça.

Eu acho que se o Sarney caísse… porque teve muita coisa estranha, que eu não vou entrar em detalhes, porque isso acabou. Mas é engraçado, é que o DEM governou a Casa durante 14 anos, na Primeira Secretaria, isso não aparecia. Obviamente que a queda do Sarney era o único espaço de poder que a nossa oposição tinha. E aí iriam querer fazer, em vez de governabilidade, um inferno neste país. Então, eu acho que foi correta a decisão de manter o Sarney no Senado.

É que eu acho que ninguém… é verdade que ninguém está acima da lei. Mas também é importante que a gente não permita a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. O Sarney foi presidente deste país, e eu acho que os ex-presidentes precisariam ser tratados como ex-presidentes, respeitados, porque essas pessoas foram instituições brasileiras. E eu achava que você não poderia banalizar a figura de um ex-presidente, porque a negação da política, Kennedy, o resultado, o que vem depois da negação da política que é pior do que o que a gente tinha. O mundo está cheio de exemplos para a gente poder.

(…)  Mas eu estou querendo dizer que a relação com a política é que tem que ser uma coisa mais séria. Não adianta a gente ficar falando mal do Congresso Nacional. O Congresso Nacional é a cara do povo que foi votar no dia 3 de outubro. O que é importante é que a democracia garante que a cada quatro anos você troque.

Política internacional

Muito pelo contrário, eu não estou preocupado, sabe, nem com os judeus, nem com os árabes nesse negócio. Eu estou preocupado é com a relação do Estado Brasileiro com o Estado Iraniano. Nós temos uma relação comercial, queremos ter relação política e eu disse ao Presidente Obama, disse ao Presidente Sarkozy, disse à Primeira Ministra Angela Merkel, que a gente não vai trazer o Irã para boas causas, se a gente vai ficar encurralando ele na parede. É preciso criar espaço para conversar.

(…) Não, eu não quero me opor a Washington. Pelo contrário, pelo contrário. Quando eu propus a criação do Conselho de Defesa e quando eu propus a criação do Conselho de Combate ao Narcotráfico, Kennedy, é porque eu tinha duas coisas na cabeça: primeiro, nós precisamos nos transformar em uma zona de paz, efetivamente. Segundo, é preciso que a gente assuma a responsabilidade, enquanto América do Sul, de combater o narcotráfico, porque aí a gente vai permitir que os países consumidores cuidem dos seus consumidores.

Imprensa brasileira

(…) Estou convencido de que a imprensa nacional conhece melhor o País, até porque tem obrigação de conhecer. Mas às vezes eu vejo o comportamento de algum setor da imprensa muito ideologizado. Eu, Kennedy, você sabe que eu sou amante da democracia e sou amante da liberdade de imprensa. A maior alegria que eu tenho é que os leitores, os telespectadores e os ouvintes são os únicos censores, censuradores, que eu admito para os meios de comunicação. Eu acho que o papel da imprensa não é fiscalizar, o papel da imprensa é informar, informar.

Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, tem a Corregedoria, tem um monte de coisas. A imprensa tem que ser o grande órgão informador da opinião pública. E essa informação, essa informação, pode ser de elogio ao governo, pode ser de denúncia ao governo, pode ser de neutralidade, pode ser de outros assuntos que não seja o governo. A única coisa que eu peço a Deus é que a imprensa informe da forma mais isenta possível. E, aí, as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.


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Para compensar perdas nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a União concedeu auxílio de R$ 910,2 milhões às cidades que tiveram diminuição de receita este ano em relação a 2008. A parcela cobre a diminuição de receitas apurada nos meses de julho e agosto de 2009. Para consultar os pagamentos, clique aqui.

De acordo com a Medida Provisória 462/09, agora convertida na Lei 12.058/09, sancionada no último dia 14 pelo presidente Lula, sempre que o repasse mensal do FPM for menor que o do mesmo período em 2008, a União concederá auxílio no valor da diferença. O objetivo da Lei é ajudar os municípios a minimizar os efeitos da crise econômica internacional.

O cálculo do auxílio financeiro é feito pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com base na comparação entre os repasses de 2008 e 2009, confrontando o acumulado até o mesmo mês. A nova lei também ampliou o prazo para prefeituras que têm dívidas previdenciárias com o INSS aderirem ao programa de parcelamento desses débitos. Com a mudança de prazo, municípios que não aderiram ao parcelamento até 31 de agosto terão até 30 de novembro deste ano para fazê-lo. As regras para o parcelamento permanecem as mesmas: carência de seis meses para os municípios com população inferior a 50 mil habitantes e de três meses para os com mais de 50 mil habitantes.


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