Representantes brasileiros e peruanos se reúnem em Manaus para discutir a relação comercial entre os dois países. Foto: Ricardo Stuckert/PR

De um lado, empresários brasileiros interessados na construção de uma hidrelétrica e de um gasoduto. Do outro, empresários peruanos querendo vender sardinhas e cimento para o Brasil. Essa foi a tônica da reunião do Conselho Empresarial Brasil-Peru realizada nesta quarta-feira (16/6) em Manaus (AM), que contou com a presença dos presidentes Lula e Alan García. O presidente brasileiro enfatizou durante sua fala que, durante cerca de 20 anos, o Brasil manteve-se distante dos países sulamericanos, e o mesmo ocorria com os países vizinhos. Agora, é diferente. O momento pede parcerias para desenvolver cada vez mais a região.

No encontro, que contou com a participação de empresários de peso, como Marcelo Odebrecht (da brasileira Odebrecht) e Mário Bréscia (presidente de um dos maiores conglomerados do Peru), o presidente peruano afirmou que seu governo tem interesse na construção da hidrelétrica de 7 mil megawatts em parceria com o Brasil. O gasoduto é outra obra que tem aprovação do governo peruano, sendo que parte do gás seria vendida para empresas no Acre e em Rondônia.

Já o Brasil tem interesse nas sardinhas e no cimento peruano. O presidente Lula disse que tem por hábito comer sardinhas e lembrou que as peruanas são consideradas as melhores do mundo. Mas atualmente, o Brasil importa sardinha da Europa – o que desagrada Lula. Garcia comentou então que São Paulo tem o maior consumo de pizza e, por isso sugeriu que as sardinhas e enchovas fossem importadas do Peru. Assim, segundo ele, ocorreria o incremento comercial entre Brasil e Peru.

O presidente brasileiro também considera inconcebível que os consumidores do Acre usem mais cebolas vindas de São Paulo do que as do Peru – comprando o produto a um preço bem maior. Por isso, Lula defendeu o fim das barreiras comerciais entre os dois países para que produtores peruanos possa vender seus produtos diretamente no Brasil, sem entraves burocráticos.

O problema com o cimento peruano chega a ser prosaico: o Brasil exige documento fitosanitário para o produto ser vendido no País. Alan García reclamou disso e o presidente brasileiro perguntou ao colega quanto custava um saco de cimento no Peru. A resposta: US$ 5. No Brasi, US$ 15.

“É por isso que exigem documento fitosanitário. Se não exigirem o cimento peruano vai entrar no Brasil mais barato e irá quebrar alguns monopólios”, disse Lula, que durante a coletiva de imprensa, chamou de ‘insana’ a pessoa que fez tal exigência. “Afinal, não conheço ninguém que coma cimento”, disse.

Reuniões bilaterais como essa realizada com representantes peruanos é parte da proposta do governo brasileiro de se aproximar dos países vizinhos sulamericanos. Lula ainda comentou na conversa com Garcia, autoridades brasileiras e peruanas, além de empresários, outra situação gritante: “Fique sabendo que levamos oito anos para fecharmos um acordo para importar couve-flor do Peru”.


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