Archive for June, 2011

Durante a visita da presidente Dilma Rousseff à China, em abril de 2011, houve encontros, entre outros, com duas grandes empresas de tecnologia chinesas que pretendiam ampliar seus investimentos no Brasil: Huawei e ZTE. Nos encontros, a presidenta ouviu dos executivos explanação sobre planos de investimentos de US$ 500 milhões no País – US$ 300 milhões da Huawei e US$ 200 milhões da ZTE.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou nos últimos dias reportagens que lançaram suspeitas sobre a inclusão desses compromissos na agenda presidencial.

Para afastar qualquer dúvida sobre a legitimidade da relação do governo com as empresas citadas, gigantes internacionais do setor de tecnologia, os Ministérios de Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, enviaram notas ao jornal, informando sobre os procedimentos que resultaram nas agendas da China.

Aqui, as notas são reproduzidas na íntegra, para levar aos demais interessados os esclarecimentos que sepultam qualquer tentativa de distorção dos fatos narrados:

1) Nota do MCT

Respostas aos questionamentos do jornal O Estado de S. Paulo
 
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, participou de todas as tratativas de investimentos preparatórias para a viagem a China.

A construção da agenda presidencial, sobre investimentos de Tecnologia de Informação, foi construída a partir da visita do embaixador Kiu Xiaogi, em 11 de março, às 16h30, no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Brasília (DF).

Xiaogi comunicou que, além da Foxconn, que estava em negociação com o MCT para ampliar seus investimentos no Brasil, que além dos 6 mil empregos já existentes, enviarão novos investimentos para a produção de Ipad e Iphone, com mais de 3,5 mil empregos a serem criados na cidade de Jundiaí (SP).

O embaixador chinês comunicou o grande interesse do seu país para que o MCT recebesse a equipe da ZTE, empresa estatal chinesa.
 
De fato, o encontro ocorreu em 18 de março, com os secretários de Política de Informática, Virgilio Almeida, e o de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Ronaldo Mota, sem a presença do ministro.

Na reunião, foi tratado sobre o memorando de entendimento entre a prefeitura de Hortolândia (SP) e a ZTE, no valor US$ 200 milhões e da geração de 2 mil novos empregos.

O lançamento desse memorando foi feito no dia 25 de março, em Hortolândia (SP). Convidado pelo prefeito da cidade, Ângelo Perugine, o ministro Mercadante esteve presente na prefeitura com ampla cobertura da mídia regional e visitou o Centro da IBM regional.

O ministro Aloizio Mercadante esteve em dois encontros com a diretoria da ZTE. No dia 25 de março, em Hortolândia, e em visita a China, no Centro de P&D.

Na segunda-feira (27), por questões de agenda, não pode participar da reunião da presidente da República, Dilma Roussef, com o presidente mundial da ZTE.

Segundo os planos divulgados pela ZTE nesta data, a nova fábrica da ZTE iniciará a produção de telefones celulares em três meses e de tablets em seis meses.

O embaixador comunicou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) havia iniciado tratativas com a empresa ZTE e a Huawei e também solicitou audiência entre a presidenta e o presidente das duas empresas na China, o que aconteceu nesta oportunidade, foi feito um novo anúncio de investimentos de US$ 300 milhões e doação de equipamentos no valor de US$ 50 milhões para a pesquisa relacionada à computação em nuvem, por parte da Hauwei.

Os investimentos estão previstos para cidade de Campinas (SP), onde está sua planta inicial, mas não foram efetivados até o momento.

O acompanhamento das três empresas é feito pelas Secretarias de Política de Informática do MCT, que tem oficializada a demanda de 14 novas empresas de investimentos de produção de tablets no Brasil, a partir das novas regras exigidas pelo governo.

Existe um grupo interministerial constituído por técnicos de MCT, MDIC, Ministério da Fazenda e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para esse conjunto de investimento, bem como para outros investimentos que estão em andamento na cadeia de TI.

O MCT tem relação republicana, transparente e pública com empresas em áreas estratégicas e interessadas em investir no Brasil, instalar centros de pesquisa, transferir tecnologia e fortalecer o parque industrial brasileiro.

Como exemplo, estivemos ontem, em São Paulo, na sede da IBM inaugurando seu novo Centro de Pesquisa. O Brasil é o primeiro país do hemisfério sul e o sexto no mundo a receber este tipo de instrumento.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Ciência e Tecnologia

2)Nota explicativa do MDIC

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel visitou  a cidade de Pequim, na China, entre os dias 2 e 5 de março. A viagem teve por objetivo a preparação da visita da Presidente Dilma Rousseff, agendada para o mês seguinte. Acompanhado do ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, o ministro Fernando Pimentel participou de uma reunião conjunta MDIC/MRE com o primeiro-ministro Wen Jiabao. Em seguida, teve reuniões privadas com o ministro de Comércio, Chen Deming e Chen Yuan, Presidente do Banco de Desenvolvimento da China. A comitiva ministerial também visitou o Centro de Negócios da APEX, em Pequim, para reunião com empresários brasileiros instalados naquele país.

2)      No dia 4 de março, o ministro Fernando Pimentel participou de uma reunião com o vice-presidente mundial da Huawei. Na ocasião, o vice-presidente informou o ministro sobre os investimentos da empresa chinesa no Brasil. Solicitou também um encontro com a presidente da República, Dilma Rousseff, para o anúncio oficial desses investimentos, durante a visita presidencial

3)      No 12 de abril, a reunião entre a Presidente Dilma Rousseff e o presidente mundial da Huawei, em Pequim, foi acompanhada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante e de Relações Exteriores, Antônio Patriota.

4)      O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,  em parceria com a APEX-BRASIL, foi também responsável  pela organização da visita da presidente Dilma Rousseff ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ZTE, em Xian (China), no dia 15 de abril.

5)      Atualmente, o MDIC mantém contato, por meio de grupos de trabalho interministeriais, com as empresas de tecnologia de informação Huawei, ZTE e Foxconn que anunciaram investimentos no Brasil naquela ocasião.

6)      Destaca-se também que entre os dias 7 e 12, o MDIC e a APEX-BRASIL divulgaram outros negócios fechados durante a Missão Comercial à China com  empresas chinesas como a Chery Automobile que anunciou a instalação de uma fábrica em São Paulo e a XCMG (Xu Zhou Construction Machinery Group) que também negocia a instalação de uma unidade industrial para a fabricação de máquinas para a construção civil.  

Assessoria de Comunicação Social
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

3)Nota explicativa da Secretaria de Imprensa da Presidência da República

Prezado Jornalista,
 
Em esclarecimento às suas dúvidas sobre a agenda da presidenta Dilma Rousseff na China, em abril último, informamos que ambas as empresas citadas apresentaram pedidos para agendamento de atividades com a presidenta.
 
Um dos pedidos, para ambas, foi feito por intermédio da embaixada chinesa no Brasil. A Huawei também fez solicitação por intermédio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e pela Prefeitura de Campinas, onde possui instalações. A ZTE também reforçou o pedido diretamente ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
 
Ambos os ministros tiveram contatos prévios com as empresas, tomaram conhecimentos dos seus planos de investimento para o Brasil e recomendaram que os contatos com as diretorias de ambas fossem incluídos na agenda presidencial na China.
 
Nos encontros com a presidenta, as empresas anunciaram formalmente seus planos de investimentos, de US$ 300 milhões, pela Huawei, e de US$ 200 milhões, pela ZTE.
 
Atenciosamente,
 
Secretaria de Imprensa da
Presidência da República

(matérias publicadas sobre os dois encontros no Blog do Planalto)

Sexta-feira, 15 de abril de 2011 às 14:00
ZTE construirá fábrica de US$ 200 milhões no estado de São Paulo

Segunda-feira, 11 de abril de 2011 às 15:16
Chinesa Huawei anuncia investimento de US$ 300 milhões em centro tecnológico


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Ministro Fernando Pimentel (Comércio Exterior) comemoru decisão do Senado que prorrogou por um ano prazo do Drawback. Foto: Antonio Cruz/ABr-Arquivo

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse nesta quinta-feira (30/6), que a decisão do Senado Federal de prorrogar por mais um ano o Drawback Integrado Suspensão consiste num “incentivo para que produtos brasileiros cheguem ao mercado internacional de forma mais competitiva”. O Drawback é mecanismo que permite às empresas exportadoras adquirir insumos importados ou produzidos no Brasil com suspensão de IPI, PIS/Cofins, Imposto de Importação e ICMS.

“Os senadores compreenderam que, neste momento, era importante aprovar uma medida na qual estão amparadas 25% das nossas exportações. É um incentivo para que produtos brasileiros cheguem ao mercado internacional de forma mais competitiva”, disse Fernando Pimentel.

A prorrogação do drawback é um dos temas da Medida Provisória 526/2011, aprovada na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 16/2011. O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados e, como não houve alteração, segue para sanção presidencial. A proposta permite que as concessões de drawback que venceram em 2011 ou que já tenham sido prorrogadas e ainda vencerão neste ano sejam estendidas, em caráter excepcional, por mais um ano.

O objetivo do prazo adicional é permitir que as empresas cumpram a condicionante de exportar o produto acabado, prevista no regime especial. Em decorrência da crise financeira de 2008, o governo federal já havia prorrogado o drawback em duas ocasiões: primeiro, em 2009, quando o prazo para exportar foi ampliado de dois para três anos, e, em seguida, em 2010, ampliando de três anos para quatro anos o período previsto para a exportação.

O drawback reduz os custos de produção de produtos exportáveis, tornando-os mais competitivos no mercado internacional. No parecer, o relator-revisor, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), cita especialmente os benefícios ao setor têxtil e de confecções, que, segundo ele, ganhará “competitividade nas exportações, em uma conjuntura em que enfrentam forte concorrência da produção de países com baixos salários e que não garantem direitos mínimos a seus trabalhadores”.


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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante pronunciamento à imprensa, disse que por causa da prorrogação de restos a pagar do Orçamento de 2009, o governo suspenderá a liberação de novas emendas parlamentares até o fim de setembro. Foto: Antonio Cruz/ABr

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira (30/6), a prorrogação por mais três meses da validade dos restos a pagar referentes a convênios com estados e municípios em 2009 que ainda não foram processados.

“O governo resolveu estender a validade de convênios com estados e municípios até o final de setembro deste ano. Nesse período, os convênios que, de fato, estiverem iniciados terão chance de ter continuidade”, disse o ministro a jornalistas.

A extensão do prazo até 30 de setembro de 2011 possibilitará que obras e serviços executados por estados e municípios por meio de transferência de recursos federais possam ser iniciados.

O ministro afirmou ainda que, em virtude dessa prorrogação, não haverá liberação de emendas durante o período de três meses, e ressaltou que a medida não afetará o resultado fiscal do governo.

“[O governo] vai continuar implementando o corte de R$ 50 bilhões e, portanto, terá o resultado fiscal que já foi anunciado de superávit primário acima de 3% até o final do ano”, enfatizou.

Solidez fiscal

Na entrevista, Mantega destacou que as metas fiscais para este ano vêm sendo “plenamente” cumpridas. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, de janeiro a maio de 2011 o governo acumula superávit primário de R$ 64,8 bilhões, o que representa 4,03% do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse resultado refere-se às contas do setor público, que inclui governo, estados, municípios e empresas estatais e, no mesmo período do ano passado, foi de R$ 39,9 bilhões.

O ministro informou que o governo continuará realizando o esforço fiscal prometido para este ano e que mais da metade da meta anual já foi alcançada nos primeiros cinco meses. “Isso mostra que o governo está realizando plenamente o resultado fiscal que foi comprometido para 2011 e continuaremos nessa trajetória até o final do ano”, declarou.

A qualidade do gasto público, com as despesas do governo crescendo a taxas inferiores ao crescimento da receita e do PIB nominal, também foi ressaltada pelo ministro.

“Caminhamos para situação bastante sólida do ponto de vista fiscal. Posso dizer que, com esses resultados, o Brasil possui hoje uma das melhores situações fiscais do mundo”, acrescentando que o Brasil deverá terminar o ano com déficit nominal inferior ao da maioria dos países, e com dívida pública em redução.


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Presidenta Dilma Rousseff recebeu o presidente da Deere & Company, Samuel Allen, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff recebeu, nesta quinta-feira (30/6), o presidente da Deere & Company, Samuel Allen, no Palácio do Planalto. Allen contou ao Blog do Planalto que aproveitou a audiência para relatar sobre a participação do conglomerado no mercado brasileiro. Segundo o executivo, a companhia tem unidades fabris ou escritórios em sete cidades e 4 mil empregados por meio da John Deere, uma das mais importantes empresas na produção de equipamentos para a agroindústria.

“Foi a primeira oportunidade que tivemos para contatá-la. Foi muito agradável a conversa. Ela estava muito interessada em saber sobre a produção de cana-de-açúcar por hectare”, disse o executivo.

Segundo Samuel Allen, a Deere & Company investiu R$ 60 milhões para a ampliação da fábrica de Catalão (GO) que colocará no mercado equipamentos pulverizadores já a partir de 2012. Além disso, segundo contou, a empresa já produz no mercado brasileiro plantadeiras de cana-de-açúcar. No relato, a presidenta foi informada que o grupo está no país desde 1979, quando adquiriu 20% do capital da Schneider Logemann & Cia., em Horizontina (RS). Neste momento, Allen contou que era importante ressaltar a participação no mercado nacional e que, em mais de três décadas, a empresa vem contribuindo para o desenvolvimento da agroindústria brasileira.

“Quando o governo trabalha integrado, o resultado é positivo”, disse Allen à presidenta Dilma durante a audiência.

O grupo também atua na solução de equipamentos para a agricultura familiar. Desde 2009, a John Deere tem parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), inclusive com contribuição ao programa Mais Alimentos. Amanhã (1º/7), em Francisco Beltrão (PR), a presidenta Dilma Rousseff participará de cerimônia do lançamento do Plano Safra 2011/2012 para Agricultura Familiar, que prevê linha de crédito de R$ 16 bilhões para os pequenos produtores.

História da John Deere no Brasil

A John Deere iniciou sua participação no mercado brasileiro por meio de associação com a indústria brasileira Schneider Logemann & Cia. Ltda. em 1979, quando adquiriu 20% do capital da fabricante de equipamentos sediada em Horizontina (RS). Assim como a John Deere, a Schneider Logemann tinha iniciado sua história como uma oficina mecânica de reparos. A oficina aberta em 1945 em Horizontina passou a produzir – dois anos depois do início da operação – trilhadeiras para cereais, com a marca SLC, e em 1965 foi a responsável pela produção da primeira colheitadeira autopropelida no Brasil.

A parceria entre as duas empresas acelerou a introdução da tecnologia da líder mundial nos equipamentos produzidos no Brasil pela SLC. A colheitadeira 6200, lançada em 1983, usava a cor verde da John Deere. Naquele mesmo ano a linha de produtos aumentou com a fabricação de plantadeiras em Horizontina.

Ao mesmo tempo intensificava-se o intercâmbio de filosofias de manufatura, gestão da qualidade e condução de negócios. Em 1989, uma nova fábrica foi inaugurada em Horizontina, com significativa expansão da capacidade de produção.

A presença da John Deere no Brasil ganhou peso maior a partir de 1996. Naquele ano, a linha de tratores John Deere passou a ser produzida no Brasil, com a marca SLC – John Deere. A John Deere aumentou sua participação na sociedade para 40% e foi constituída a SLC – John Deere Ltda..

No Brasil, além de três fábricas, a John Deere mantém um escritório regional em Porto Alegre, que centraliza o comando das operações na América do Sul, o Banco John Deere, também sediado em Porto Alegre, o Centro de Distribuição de Peças para a América do Sul, sediado em Campinas (SP) e a Unidade de Negócios Cana, localizada em Ribeirão Preto (SP).


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Agenda presidencial

A presidenta Dilma Rousseff nesta quinta-feira (30/6) começa o dia de trabalho em despacho interno com auxiliares do gabinete da Presidência da República, no Palácio do Planalto.

No final da manhã, de acordo com a agenda, a presidenta recebe em audiência o presidente mundial da Deere & Company, Samuel Allen. Fundada em 1837 nos EUA, a empresa é líder mundial na produção de equipamentos agrícolas e florestais, e uma das maiores fornecedoras de produtos e serviços para construção, jardinagem e irrigação.

Atualmente, o grupo conta com 64 fábricas em 17 países e aproximadamente 52 mil funcionários em todo o mundo, segundo informações da empresa. No Brasil, tem fábricas em Horizontina (RS), Catalão (GO) e Montenegro (RS), entre outras unidades de negócios.

À tarde, ainda de acordo com a agenda, Dilma Rousseff tem reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


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Ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) ao lado do empresário Jorge Gerdau na reunião da Câmara de Gestão, no Palácio do Planalto. Fotos Paulo H. Carvalho/Casa Civil PR

A Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade decidiu em reunião realizada nesta quarta-feira (29/6) iniciar o processo de avaliação, no próximo mês, pelo Ministério da Saúde e pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). O anúncio foi feito pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e pelo empresário Jorge Gerdau, após reunião com os integrantes da Câmara. Em entrevista, a ministra Gleisi explicou que a avaliação nestes dois setores tem duas dimensões. A primeira delas é a econômica, uma vez que a pasta da Saúde é uma das que mais recebe recursos da União, e o segundo fato diz respeito à prestação de serviços aos cidadãos.

Vídeo com a íntegra da entrevista

“O ministro Padilha [Alexandre Padilha, ministro da Saúde] pediu para que o seu ministério fosse um dos primeiros a serem avaliados. Então, no início do mês vamos nos reunir com ele para definirmos as prioridades”, contou a ministra Gleisi.

Uma outra deliberação deste grupo de apoio à presidenta Dilma Rousseff é acompanhar os projetos com vistas à Copa do Mundo Fifa 2014. Segundo explicou a ministra, os integrantes da Câmara de Gestão podem dar contribuição ao Comitê Gestor da Copa. Gleisi Hoffmann retomou também a questão dos aeroportos com o foco na qualidade do serviço prestado aos passageiros. Ela frisou que existe preocupação, por exemplo, com o tempo de restituição das bagagens.

Ministra Gleisi e o empresário Jorge Gerdau na entrevista coletiva no Palácio do Planalto

“São questões pequenas do cotidiano dos aeroportos. Mas a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) vai atuar com bastante rigor, por exemplo, para que os voos normais não sejam substituídos por voos fretados (charters)”, disse.

Durante a entrevista, a ministra Gleisi foi indagada sobre o aporte de recursos do BNDES ao grupo Pão de Açúcar, de Abílio Diniz, numa operação de fusão com a rede francesa Carrefour. O processo refere-se a ativos no Brasil. Gleisi assegurou que a operação do BNDESPar se enquadra numa ação de mercado e cabe ao banco tratar deste assunto.

Câmara de Gestão

Criada pela presidenta Dilma, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, está vinculada ao Conselho de Governo da Presidência da República. A câmara é formada por empresários e ministros e vai assessorar o governo na gestão pública. O objetivo é reduzir custos, racionalizar processos, aumentar a produtividade, otimizar sistemas de compras e os serviços prestados à sociedade.

A Câmara tem quatro representantes da sociedade civil, com reconhecida experiência e liderança nas áreas de gestão e competitividade: o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, (presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau) presidirá a entidade. Os outros empresários são Abílio Diniz (dono da Companhia Brasileira de Distribuição -- redes Pão de Açúcar, Extra, CompreBem, Sendas e Ponto Frio); Antônio Maciel Neto (presidente da Suzano Papel e Celulose); e Henri Philippe Reichstul (ex-presidente da Petrobras -1999/2001).

Pelo governo federal, participam os titulares da Casa Civil (Gleisi Hoffmann), da Fazenda (Guido Mantega), do Planejamento (Miriam Belchior), e do MDIC (Fernando Pimentel). A participação é considerada como serviço público relevante e não será remunerada.

A Câmara não terá estrutura nem quadro próprio, mas contará com o apoio técnico e logístico de uma secretaria-executiva na Casa Civil da Presidência da República. As regras para sua organização e funcionamento serão estabelecidas em regimento interno, a ser proposto pelo seu presidente e aprovado pela maioria absoluta de seus membros.


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O governo federal está elaborando uma legislação que tipifique como crime as ações de hackers. A informação é do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em entrevista concedida nesta quarta-feira (29/6), após participar de reunião com o presidente da República em exercício, Michel Temer, no gabinete da Vice-Presidência da República. Na avaliação de Cardozo, as leis em vigor no país não permitem punições mais severas para ações de invasão em sites no território brasileiro.

“O Brasil precisa ter tipificação para coibir esse tipo de prática”, afirmou o ministro.

Segundo Cardozo, o governo vem recebendo contribuições de parlamentares que poderão resultar numa proposta a ser encaminhada ao Congresso Nacional, seja ela para incluir sugestões nos projetos em tramitação ou estabelecer um novo texto sobre o assunto. O ministro contou também que os recentes ataques cibernéticos às páginas da internet no Brasil -- especialmente os sites do governo brasileiro -- estão sendo investigados pela Polícia Federal, mas reconheceu tratar-se de uma tarefa bastante difícil.

O ministro da Justiça disse que participou hoje de reunião com Michel Temer para avaliar o Plano Estratégico de Fronteiras. Cardozo contou que dentro de duas semanas irá se reunir com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para definir uma agenda de visitas aos pontos mais críticos nas divisas com os vizinhos da América do Sul.

Na entrevista, o ministro comentou também sobre relatório produzido por organismo das Nações Unidas que aponta o país como sendo rota de tráfico de entorpecentes. Cardozo reconheceu tratar-se de “uma situação que não agrada ninguém” e assegurou que “o problema da cocaína é mundial”. Para ele, da mesma forma em que os narcotraficantes tentam enviar drogas para o exterior pelas fronteiras brasileiras, o país recebe drogas sintéticas vindas, por exemplo, da Europa.

“É evidente que sabíamos dessa situação. Seja como for os dados são preocupantes. Mas podemos afirmar que muitas das apreensões notificadas no referido relatório ocorreram com a participação da Polícia Federal”, disse.


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Presidenta Dilma Rousseff discursa na sessão de abertura da 41ª Cúpula do Mercosul, em Assunçào. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff, ao discursar na primeira sessão da 41ª Cúpula de Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados, nesta quarta-feira (29/6), em Assunção, Paraguai, deu ênfase ao desenvolvimento econômico e social dos países que integram o bloco econômico sul-americano. No entanto, a presidenta lembrou que para seguir no rumo certo é preciso avaliar o momento atual para, em seguida, pensar o futuro. Ela frisou que o mundo passa por grandes transformações.

“Que cada grande realização conjunta seja fonte de estímulo e inspiração para seguirmos adiante na plena realização de nossas excelentes perspectivas. No Mercosul, a prosperidade de um tem de ser a prosperidade de todos.”

Nesta parte do discurso, a presidenta lembrou que a crise financeira mundial de 2008 ainda não foi superada. Grandes economias, como os Estados Unidos, “passam por enormes dificuldades de recuperação, com a economia crescendo muito abaixo do esperado”. Enquanto isso, a União Europeia enfrenta situação dramática com seus membros passando por graves crises de ordem privada, fiscal e financeira. O caso da Grécia, de Portugal, da Irlanda e até da Espanha foram citados como exemplos de ter consequências negativas, afetando muitas economias.

Viagens internacionaisDilma Rousseff afirmou também que “os países em desenvolvimento da América Latina, da Ásia e da África tem, nesse contexto, tido um desempenho muito mais dinâmico, mas muitos de nós tem sofrido as consequências do excesso de liquidez produzido pelos países ricos, que compromete nossa competitividade e tem sido o principal fator responsável pelas pressões inflacionárias existentes”.

Por isso, defendeu que os países do Mercosul mantenham-se sempre atentos. “Somente seremos capazes de seguir aprofundando as oportunidades que surgirão se tivermos uma estratégia conjunta sobre a vocação e o futuro do nosso bloco e, sobretudo, sobre a forma em que vamos nos inserir no mundo multipolar hoje em construção”, disse.

“Estou segura de que o Alto Representante-Geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, dará contribuição valiosa para esse exercício, promovendo ideias novas e propostas de ação.”

Após os cumprimentos de praxe, a presidenta Dilma deu início ao discurso com ênfase ao orgulho “de havermos acreditado no projeto de desenvolvimento voltado para a sociedade de nossos Países”. E prosseguiu: “Estamos construindo uma grande área sul-americana de paz, democracia, justiça social e desenvolvimento.”

Dilma Rousseff agradeceu aos parceiros do Mercosul pelo apoio a eleição do professor José Graziano da Silva ao cargo de diretor-geral da FAO. Ela disse estar convicta de que Graziano irá atuar “com o mais elevado sentido de profissionalismo em prol de todos os Estados Membros daquela importante Agência Especializada”. Segundo ela, a eleição de Graziano consistiu numa vitória nao somente do Brasil, mas de todo o grupo de países latino-americanos e caribenhos.
Trecho final do discurso da presidenta Dilma Rousseff

Ouça abaixo a íntegra do discurso ou leia aqui a transcrição.


No discurso, a presidenta brasileira lembrou do momento atual nas economias dos países que integram o Mercosul e explicou que trata-se de um modelo de crescimento único no mundo não apenas pela expansão numérica do PIB, mais um processo de geração compartilhada de riqueza, segundo ela, vinculada à humanização do desenvolvimento, que se quer socialmente justo e ambientalmente sustentável.

“Nosso modelo busca a prosperidade pela incorporação das massas historicamente excluídas. A inclusão social tornou-se motor da economia, não o contrário, como insistiram — e fracassaram, no passado — governantes e economistas desvinculados de nossas realidades nacionais. Progredimos, ademais, na estabilidade da democracia, duramente conquistada ao longo de nossa história. Uma história nem sempre pródiga em exemplos de humanidade em relação aos menos favorecidos, ou tolerante do ponto de vista da pluralidade do pensamento político e da ação social.”

Em seguida, a presidenta Dilma relatou os avanços do bloco econômico em 20 anos de existência como exemplo a criação e a consolidação da união aduaneira fato que permitiu que o crescimento regional saísse de US$ 5 bilhões, em 1991, para US$ 44,5 bilhões no ano passado. Nestas duas décadas, conforme destacou, houve um intenso trabalho no sentido de aprofundar e facilitar as relações econômico-comerciais. Isso resultou, por exemplo, que no ano passado fosse aprovado o Código Aduaneiro do Mercosul.

Ela lembrou o lançamento da negociação do acordo de investimentos, bem como da decisão de criar um Protocolo de Contratações Públicas. O bloco de países também acreditou, segundo a presidenta, que as compras do Estado devem apoiar a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico, preparando as empresas e sociedades para a economia do conhecimento.

“Temos objetivos definidos para uma política de livre circulação de pessoas. Adotamos plano de promoção de direitos civis, culturais e econômicos, com o propósito de assegurar igualdade de condições e de acesso ao trabalho, saúde e educação. Enquanto países mais prósperos e desenvolvidos desmontam o Estado do bem-estar social, os países do Mercosul investem cada vez mais em programas de proteção social.”

Após o discurso, a presidenta Dilma seguiu para o almoço oferecido pelo presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Depois, os presidentes e representantes dos países integrantes do Mercosul participaram da foto oficial. A presidenta retorna ainda hoje para o Brasil.


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